23/07/2026
Cinema em família. ❤️🍿
Hoje fomos assistir A Odisseia, de Christopher Nolan.
Saí da sessão com uma sensação curiosa. Não assisti apenas à Odisseia de Homero. Assisti, sobretudo, à Odisseia de Nolan.
Toda grande adaptação acaba se tornando uma obra autoral. O texto permanece como origem, mas o olhar, o ritmo, a construção das imagens e a forma de narrar carregam a assinatura de quem a recria.
Também fiquei pensando em outra coisa.
Nolan filmou grande parte do longa em IMAX 70 mm, concebendo uma experiência imersiva muito específica. Não é apenas uma tela maior. É uma forma de ocupar o campo de visão do espectador, de esconder e revelar detalhes nas extremidades do quadro, de fazer da imagem um espaço físico.
Infelizmente, ainda não temos salas capazes de reproduzir essa experiência no Brasil. Assistimos ao filme, mas talvez não exatamente ao filme que Nolan imaginou.
Essa sensação me fez lembrar a época das grandes salas de CinemaScope e das projeções em película, quando a tecnologia fazia parte da linguagem do cinema. Diziam que os enormes rolos de filmes de três horas exigiam verdadeiros malabarismos dos projecionistas. Havia algo quase artesanal naquele ritual, e talvez seja justamente essa materialidade que Nolan insiste em preservar.
E eu admiro isso!
Fiquei imaginando quantos pequenos detalhes ficaram literalmente fora da nossa tela. Quantas escolhas de enquadramento, de composição e de escala foram pensadas para um formato que ainda não conseguimos experimentar.
Mesmo assim, continua sendo uma experiência que vale a pena viver no cinema.
E, como toda boa jornada, esta ficou ainda melhor por ter sido compartilhada em família.