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Como já sabemos, Barcelona formava parte do Império Romano e, como toda cidade romana, possuía uma infraestrutura hidráu...
17/12/2020

Como já sabemos, Barcelona formava parte do Império Romano e, como toda cidade romana, possuía uma infraestrutura hidráulica bem desenvolvida, como aquedutos, fontes, domus. Porém, com a queda do Império Romano, essas estruturas hidráulicas também entram em colapso. A cidade começa a distribuir água potável através de poços e do Rec Comtal – um canal que levou água a Barcelona por quase mil anos.

No final do século XIII e início do século XIV, Barcelona não contava apenas com poços, mas começou a desenvolver seu sistema de distribuição de água potável, também através de fontes – foi até criado um cargo, em 1414, para quem as projetava: o de maestro das fontes.

Contudo, o grande problema delas era a sua manutenção, em razão do grande número de obstruções que aconteciam e ocasionavam problemas de escassez. A localização das fontes privilegiava os edifícios institucionais e religiosos, bem como estavam distribuídas, sobretudo, no centro da cidade, deixando de fora, num primeiro momento, bairros como o El Raval e Las Ramblas.

A polis grega traz à história da cidade novos conceitos e configurações urbanas. O primeiro deles, é o das cidades-Estad...
16/12/2020

A polis grega traz à história da cidade novos conceitos e configurações urbanas. O primeiro deles, é o das cidades-Estado, independentes entre si, sem a presença de zonas fechadas – como vimos até o momento. Em alguns exemplos, pode haver cidades muradas, mas a compartimentação nas residências que havia até o momento, não é vista na cidade grega. Ela é livre, palco da democracia.

De modo geral, a cidade na Grécia é dividida em cidade alta - a acrópole - onde ficam os templos dos deuses e serve de refúgio para defesa e a cidade baixa - a astu - onde acontecem o comércio e as relações civis.

A cidade grega se divide em áreas privadas, áreas sagradas e áreas públicas – estas últimas destinadas às reuniões políticas, comércio, teatro e práticas esportivas. É válido ressaltar também o destaque dado aos templos na paisagem, não pelo tamanho, mas pela qualidade arquitetônica, bem como a implantação dos edifícios com poucas intervenções na natureza.

Em suma, a cidade grega pode ser resumida como exemplos de unidade, articulação, equilíbrio com a natureza e limite de crescimento. Nos próximos posts, vamos nos aprofundar nas principais cidades da Grécia e suas características.

Grande parte das maiores cidades do mundo carecem de locais públicos de permanência – que são locais onde não apenas pas...
15/12/2020

Grande parte das maiores cidades do mundo carecem de locais públicos de permanência – que são locais onde não apenas passamos, mas permanecemos, nos sentamos para relaxar, para ver a vida acontecendo. Jan Gehl, autor do livro “Cidades para Pessoas”, categoriza as atividades que acontecem no espaço urbano assim:

1. Atividades obrigatoriamente necessárias: como ir ao trabalho, escola...
2. Atividades opcionais: caminhar num calçadão, descansar na cidade...
3. Atividades sociais: estar em grupo – reuniões, encontros, manifestações...

Uma melhoria no ambiente físico onde acontecem as atividades opcionais, refletem diretamente no aumento das atividades sociais. Além disso as atividades obrigatoriamente necessárias e as opcionais, são pré-requisitos para a existência de atividades sociais.

Ao nos depararmos com o provérbio “o homem é a maior alegria do homem”, lembramos que a sensação de segurança e de vitalidade no espaço urbano é dada por nós mesmos e, um ótimo exemplo para ilustrar isso é como, na Europa, as cadeiras dos cafés se voltam para a sua atração principal: a vida na cidade – como ilustrado na série “Emily em Paris”, nesta imagem do post.

Chamamos de gentrificação o processo de “saída” (expulsão) dos moradores de um local de grande interesse, em razão da es...
14/12/2020

Chamamos de gentrificação o processo de “saída” (expulsão) dos moradores de um local de grande interesse, em razão da especulação imobiliária e do turismo. Exemplificando: imagina se no Santo Antônio Além do Carmo a rede Iguatemi conseguisse, finalmente, instalar o seu projeto de shopping ao ar livre? Os moradores daquela região certamente não seriam mais capazes de arcar com os custos básicos da sua sobrevivência ali, como alimentação, lazer, moradia.

Esse fenômeno tem acontecido em Barcelona, Veneza e em muitas cidades de valor histórico. Hoje, vamos falar de Córdoba, uma cidade localizada na Espanha, Patrimônio Mundial da Unesco, que vem sofrendo os efeitos da gentrificação. Lá, surgiu a Pax, uma startup de reabilitação urbana e inovação social, que trabalha com a recuperação dos pátios das casas históricas, a fim de frear os efeitos negativos do turismo e da especulação imobiliária na vida local.

Em Córdoba, é muito comum as casas possuírem um pátio, um local que é compartilhado no fundo de um conjunto de residências. A Pax desenvolveu o Esquema da Casa Pátio, que se dá com a aquisição ou negociação de imóveis de alto valor patrimonial que estão abandonados, para transformá-los numa cooperativa, gerando economia local. Cada imóvel se torna habitação dos cooperativistas e comércio, com a produção de artesanato e o fomento ao micro turismo. Além disso, esses imóveis são destinados também ao acolhimento de imigrantes e de refugiados, bem como de pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Assim, a Pax consegue promover um urbanismo de proximidade, fortalecer a economia local e difundir a sustentabilidade, pois cada pátio tem um microclima gerado pelo paisagismo que há neles.

Quando pensamos em qualquer cidade do mundo, geralmente, a primeira imagem que vem à nossa mente é de suas ruas e calçad...
11/12/2020

Quando pensamos em qualquer cidade do mundo, geralmente, a primeira imagem que vem à nossa mente é de suas ruas e calçadas. A partir dessa imagem, fazemos nossos juízos de valor sobre esta cidade.

As ruas e calçadas são os principais lugares públicos da cidade, são como seus órgãos vitais. Por elas, acontecem os deslocamentos de veículos e de pedestres, em sua grande maioria desconhecidos – no caso das grandes cidades.

É muito interessante a maneira como Jane Jacobs traz o desconhecimento do outro como um aspecto característico das grandes cidades. E mais, nossa relação com os desconhecidos acontecem, sobretudo, nas calçadas. De modo que uma cidade considerada segura é aquela que proporciona uma “relação” de confiança com o outro que não conheço. Portanto, é tarefa fundamental das ruas e calçadas garantir essa segurança.

Mas, como? Isso é assunto para o próximo post da série HistoriCidades, em que seguimos nos aprofundando no livro Morte e Vida das Grandes Cidades, de Jane Jacobs.

Já falamos bastante sobre o Rec Comtal, a estrutura hidráulica, ou canal, que levava água para toda a Barcelona durante ...
10/12/2020

Já falamos bastante sobre o Rec Comtal, a estrutura hidráulica, ou canal, que levava água para toda a Barcelona durante quase 1.000 anos, alimentando os moinhos de farinha e tecido e irrigando as hortas em direção ao Mar Mediterrâneo.

O que ainda não tratamos aqui foi da propriedade do Rec Comtal. Quem geria o seu uso? Pois bem, essa importante estrutura hidráulica era de propriedade do monarca, o qual dava ao explorador dos moinhos a concessão de uso do Rec. É dizer: mediante o pagamento de um valor anual e de uma entrada, era possível fazer uso deste canal e explorar a água geradora de rendas que passava por ele.

É interessante assinalar a importância econômica da água neste período e o quanto esse valor dado a ela foi capaz de conduzir o traçado urbano de Barcelona, que sempre teve a presença da água como condicionante.

Finalizando nossa viagem pelo Extremo Oriente, hoje vamos falar das cidades japonesas – muito semelhantes às urbes chine...
09/12/2020

Finalizando nossa viagem pelo Extremo Oriente, hoje vamos falar das cidades japonesas – muito semelhantes às urbes chinesas que vimos anteriormente.

No Japão, porém, a realidade era diferente. A ausência de grandes espaços planos e de rios navegáveis, limitou, até um dado momento, o crescimento das cidades japonesas, diferente da realidade na China.

No espaço urbano japonês e até nas residências é possível ver a presença dos eixos de simetria, com grande presença da ortogonalidade.

A contribuição japonesa ao urbanismo, foi a liberdade informal do seu paisagismo, com jardins que foram antecessores ao estilo dos jardins ingleses, caracterizados por uma concepção orgânica, em contraponto aos ângulos retos de sua arquitetura e urbanismo.

Veneza, por natureza, é uma cidade para pedestres e um interessante modelo para se trabalhar com a dimensão humana no ur...
08/12/2020

Veneza, por natureza, é uma cidade para pedestres e um interessante modelo para se trabalhar com a dimensão humana no urbanismo. A cidade italiana proporciona uma das experiências urbanísticas mais diferentes no mundo.

Se você já esteve em Veneza, pôde ver a vitalidade das suas ruas, devido à presença do uso misto nelas. A cidade não é setorizada por funções, como grande parte das cidades no mundo. Em Veneza, é possível ter um restaurante, loja ou café no térreo dos casarões e os demais pavimentos podem ser de uso residencial ou institucional.

É preciso aqui, fazer uma crítica também ao processo de gentrificação que ocorre em Veneza há alguns anos. Esse processo é a migração em massa de moradores de Veneza para outras cidades vizinhas, que é ocasionado pelo aumento no valor dos aluguéis e de itens básicos de consumo, já que o turismo toma conta do local e promove a especulação imobiliária por lá.

Com o urbanismo de proximidade e o grande destaque que se tem dado atualmente a este modelo urbano de caminhadas a curtas distâncias, Veneza pode nos ensinar muito sobre a inserção da escala humana na escala urbana, com as devidas ressalvas quanto à gentrificação, claro.

Fotografia de autoria própria em 07/01/2020

As grandes cidades se converteram em lugares mortos, que confinam almas solitárias. A setorização delas, com a separação...
07/12/2020

As grandes cidades se converteram em lugares mortos, que confinam almas solitárias. A setorização delas, com a separação de espaços conforme sua função, gerou este isolamento, de modo que a diversificação de usos é uma saída promissora para enfrentar as solidões urbanas.

Hoje, com a pandemia da COVID-19, muito tem se falado de um Urbanismo de proximidade, que são novas tendências na produção do espaço urbano pautadas no convívio social, no contato com a vizinhança e nos deslocamentos a pé e em bicicleta, como vimos no conceito da Cidade de 15 minutos do Professor Carlos Moreno.

A diversificação de usos pode se dar também dentro dos edifícios, como em muitas cidades do mundo, em que o térreo das edificações pode ter uso comercial e os demais pavimentos uso residencial. Assim, a vida permanece no bairro, mesmo em horário não-comercial.

Um grande exemplo da solidão urbana são os países nórdicos. A Suécia, por exemplo, tem o menor índice de pessoas por apartamento no mundo – por lá, há uma média de apenas 02 pessoas por habitação. Além disso, 3 de cada 5 lares conta com apenas 1 pessoa.

Como maneira de diminuir a solidão urbana, surgem ali alguns projetos de Co-housing, que é um tipo de edifício com espaços privados e compartilhados. Por exemplo, a cozinha, o jardim, a lavanderia, a biblioteca e o salão de festas podem ser espaços compartilhados entre todos os moradores, enquanto os banheiros e quartos podem ser espaços privados. Mas, apenas 0,03% dos suecos vivem nesse tipo de habitação, que está começando a se difundir por lá.

É curioso observar como no Urbanismo os conceitos datados de épocas bem diferentes se inter-relacionam. Derivando da ide...
04/12/2020

É curioso observar como no Urbanismo os conceitos datados de épocas bem diferentes se inter-relacionam. Derivando da ideia da Cidade Jardim (Ebenezer Howard - 1898), Le Corbusier apresenta a sua Cidade Radiante, a Ville Radieuse em 1924.

Nela, a população é alocada em arranhas céus, rodeados por espaços verdes e com usos setorizados, havendo o isolamento dos edifícios públicos e culturais, numa espécie de purificação da vida cotidiana na cidade.

Certamente, se você conhece a Cidade Jardim de Howard, verá muita semelhança com a Ville Radieuse de Le Corbusier. E é possível traçar semelhanças entre ambas, como a ideia de setorização dos usos, o isolamento e a presença do verde.

A grande diferença entra elas é que a Cidade Radiante é projetada, sobretudo, para o automóvel, numa nova velocidade da vida urbana, como exemplifica Jane Jacobs: “nos projetos de Le Corbusier figuravam artérias destinadas ao trânsito rápido, de direção única.” Além disso, a Cidade Jardim preconizava uma baixa densidade urbana (com limitação da sua população), enquanto a Cidade Radiante se baseava num alta densidade urbana, característica dos tempos em que ela foi projetada.

E mais, se olharmos para as nossas cidades de hoje, veremos uma enorme semelhança à Cidade Radiante, com espaços urbanos isolados, separados por funções e pouco amigáveis ao pedestre, sendo Brasília um ótimo exemplo disso.

O bom funcionamento de um núcleo urbano é garantido por dois fatores: o abastecimento de água potável e a eliminação das...
03/12/2020

O bom funcionamento de um núcleo urbano é garantido por dois fatores: o abastecimento de água potável e a eliminação das águas sujas. Por isso, entre os anos de 1280-1330, Barcelona começa seu crescimento de maneira ordenada e controlada, tendo em conta estes dois fatores ligados à água.

Neste período, a cidade teve um grande aumento da sua população e um forte desenvolvimento da indústria têxtil e do comércio marítimo. Com o controle urbanístico da água, havia ramais secundários a partir do Rec Comtal que a distribuíam para as atividades industriais e para a irrigação das hortas, além de haver o recolhimento das águas sujas.

A água bem controlada e guiada conforme os seus usos constituiu um elemento essencial e inseparável, desde o princípio, da concepção urbanística de Barcelona.

São as águas que fazem a cidade...e a melhoram.

Imagem extraída de: https://www.lavanguardia.com/local/barcelona/20170311/42709846095/rec-comtal-mina-besos-barcelona-secreta.html

Seguimos nossa viagem pela história do espaço urbano, estudando agora as cidades no Extremo Oriente. Seguindo a tradição...
02/12/2020

Seguimos nossa viagem pela história do espaço urbano, estudando agora as cidades no Extremo Oriente. Seguindo a tradição dos povos da Mesopotâmia e do Egito, as cidades chinesas também se desenvolveram sob a concentração de poder. Porém, nelas é acrescentado um novo elemento ao poder, o seu sentido de existir – o qual só se justificava se assegurasse a paz e a harmonia social, é a ideia do Yin e Yang.

O território chinês é caracterizado ao Norte pela cadeia montanhosa do Himalaia, com seus territórios pouco habitados, e ao Sul pelas planícies cultivadas, onde a vida flui. A cidade, sede do poder que falamos acima, é símbolo dessa mediação de opostos.

As normas urbanísticas chinesas permanecem praticamente intactas desde 206 a.C. Nelas, o traçado das ruas é definido pelos pontos cardeais, em referência à busca pelo equilíbrio norte-sul, característico deste território. E mais, a presença dos eixos de simetria é também visto nas casas chinesas, que seguem a geometria das ruas e tem, geralmente, seu acesso pelo sul – referência ao fluir da vida nesta porção do território.

A casa da cidade era tão rigorosa, simétrica e regular quanto o traçado das ruas. Já a casa do campo, em respeito à natureza, era irregular.

A cidade chinesa, como se vê, é repleta de simbolismos e buscou equilibrar opostos como montanha-planície, norte-sul, simetria-irregularidade.

Imagem extraída de: https://www.economist.com/1843/2018/02/27/experience-ancient-china-in-pingyao

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