28/11/2025
Estamos a entrar numa década decisiva para a forma como vivemos nas nossas casas. 🏠🇵🇹
Nos próximos anos, Portugal vai ter de alinhar-se com a nova Diretiva Europeia do Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD), que deverá estar transposta até maio de 2026. Isso não é apenas “Europa” lá longe – vai influenciar diretamente a reabilitação do nosso parque habitacional.
Há um grupo de edifícios que está no centro da minha investigação: as habitações construídas entre 1960 e 1999.
São muitos dos prédios onde vivemos hoje: pouco eficientes, energeticamente vulneráveis, mas com um enorme potencial de melhoria – se houver visão e políticas certas.
Na minha perspetiva, a reabilitação deste parque só faz sentido se for pensada com 3 focos interligados (e não em “silos”):
1️⃣ Eficiência energética maximizada
Melhorar verdadeiramente o desempenho dos edifícios, reduzindo as necessidades de aquecimento e arrefecimento, combatendo a pobreza energética e aumentando o conforto interior. Não se trata só de mudar uma letra no certificado.
2️⃣ Circularidade dos materiais
Escolher, projetar e intervir com materiais e sistemas que possam ser reutilizados, reparados e reciclados, reduzindo a extração de recursos, o desperdício e reforçando cadeias de valor locais e regionais.
3️⃣ Descarbonização
Reduzir emissões em todas as fases do edifício – desde a produção dos materiais até ao fim de vida – abandonando progressivamente os combustíveis fósseis e apostando em soluções ligadas às energias renováveis.
Para que estes três eixos deixem de ser “boas intenções” e passem a orientar a prática, são necessárias políticas públicas claras e consequentes, nomeadamente:
🔹 Um roteiro específico para os edifícios de 1960–1999, assumindo-os como prioridade nas estratégias nacionais;
🔹 Modelos de financiamento estáveis, que favoreçam reabilitações profundas e apoiem primeiro quem mais precisa;
🔹 Formação e capacitação técnica para arquitetos, engenheiros e empresas de construção, para que a reabilitação seja integrada e não apenas uma sucessão de “obras de remendo”.
Entre fazer o mínimo para cumprir a diretiva e transformar verdadeiramente o nosso parque habitacional, há um enorme espaço de escolha política – e de responsabilidade coletiva.
A pergunta que deixo é:
👉 Queremos apenas “baixar consumos no papel” ou aproveitar esta oportunidade para ter casas e bairros mais confortáveis, saudáveis, circulares e descarbonizados?
É neste cruzamento entre eficiência, circularidade e descarbonização que tenho centrado a minha investigação – e acredito que é também aí que Portugal pode marcar a diferença na próxima década.
Se este tema te interessa, partilha, comenta, discorda, acrescenta. É um debate que não pode ficar só entre especialistas. 💬✨