01/04/2026
✍ Foi com profunda tristeza que recebemos a notícia do falecimento de Armando Alves, um dos fundadores da Cooperativa Árvore e uma figura maior da arte portuguesa contemporânea.
Foi na Árvore que, em 1965, realizou a sua primeira exposição individual. E foi também aqui, sessenta anos depois, em 2025, que regressou com aquela que agora sabemos ter sido a sua última exposição, num momento particularmente simbólico, coincidente com a celebração dos seus 90 anos.
Esse regresso teve, por isso, um significado raro e comovente: o reencontro de um artista com a casa que ajudou a fundar, com a cidade onde construiu grande parte do seu percurso e com a comunidade artística que, ao longo de décadas, acompanhou e reconheceu a singularidade da sua obra.
Na pintura e na obra gráfica de Armando Alves, cruzam-se rigor e lirismo, disciplina e emoção, geometria e luz. Eugénio de Andrade escreveu que o artista se “descobriu alentejano ao mesmo tempo que se descobria pintor”; e José Saramago chamou-lhe, com admirável justeza, “inventor de céus e planícies”. Talvez poucas palavras consigam dizer tão bem a fidelidade profunda da sua obra a uma paisagem interior feita de memória, silêncio, claridade e cor.
Nascido em Estremoz, em 1935, formado na Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde também lecionou, Armando Alves foi cofundador do grupo Os Quatro Vintes, com Ângelo de Sousa, Jorge Pinheiro e José Rodrigues. Pintor, designer, ilustrador e professor, deixou uma obra de grande exigência e depuração, indispensável para compreender a arte portuguesa da segunda metade do século XX e do início do século XXI.
A Cooperativa Árvore presta homenagem a Armando Alves com gratidão, admiração e saudade. À sua família, aos seus amigos e a todos os que com ele privaram e trabalharam, apresentamos as nossas mais sentidas condolências.
📷 Fernando Veludo/NFactos
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