22/12/2025
Estás pronto para abrandar e fazer a diferença?
Os incêndios devastam novamente a nossa terra e remeto-me aos detalhes do meu trabalho para, em forma de elogio, reconhecer a importância das árvores e do material mais raro do universo: a madeira.
Vivemos numa era de consumo e promovemos o desequilíbrio terrestre através dessa ideia desmesurada e compulsiva de necessidade de ter.
A Árvore sustenta-se de água e terra, a madeira sustenta-se com cuidado e dedicação em cada peça que criamos. O único elemento que a destrói? O fogo.
Através dele vemos o desequilíbrio e a ira dos elementos. Numa sociedade que teima em ser fogo e destruir para reinar, em que não fluimos como a água, não cantamos como o vento, não permanecemos como a terra, as peças de autor são uma apologia ao abrandar de uma sociedade em movimento perpétuo e descontrolado.
Cada detalhe, cada entalhe, é feito entre respirações pausadas por um artista dedicado. Há uma alma que comunga com a matéria, das suas fragilidades, das suas forças. Que respeita as suas linhas e as suas vontades. Criar uma peça manualmente, é respeitar os anos de envelhecimento de um ser. É pedir autorização a cada movimento para que este acto de subtrair o tempo à madeira e renovar a sua beleza possa ser um sinal de respeito pela vida, pela terra, pelos seus frutos.
Comprar uma peça de autor é, hoje em dia, um acto rebelde. É aceitar ser diferente. É aceitar ser único. É fincar o pé na terra e contrariar a corrente sem nexo e frenética em que andamos à deriva.
Estás pronto para abrandar e fazer a diferença?