08/10/2025
Por que a arquitectura não pode ficar de fora na concepção das cidades?
Há quem pense que cidade se faz com cimento, discursos e fitas cortadas em inaugurações. No entanto, a realidade mostra que, quando a arquitectura é deixada de lado, o resultado costuma ser um emaranhado de casas empilhadas, ruas sem destino e um rio que serve de depósito para o que sobrou do “planeamento”.
A arquitectura não é enfeite, é pensamento. É ela que dá forma ao espaço onde a vida acontece. O engenheiro garante que o prédio não caia, o político promete que vai ficar bonito, mas é o arquitecto quem se preocupa com onde o povo vai viver, como vai circular, o que vai sentir ao estar nesse lugar. E isso faz toda a diferença entre o “depois arranjamos” e o “vamos fazer bem desde o início”.
Quando a política se sobrepõe à arquitectura, surgem bairros improvisados, obras inacabadas e avenidas que terminam em lugar nenhum. E, claro, há sempre uma placa com o nome de quem mandou fazer (porque o mérito é mais importante que o resultado). Entretanto, quando a arquitectura entra na conversa, o planeamento urbano ganha coerência, o espaço público respira e o cidadão sente-se respeitado.
Ademais, cidades não são apenas conjuntos de edifícios; são organismos vivos que precisam de harmonia. Sem arquitectos e planeadores, ficamos com cidades que parecem puzzles montados às pressas, e ninguém sabe onde estão as peças que faltam.
Portanto, se quisermos cidades humanas, sustentáveis e bonitas de viver, talvez seja hora de deixar os arquitectos falar um bocadinho mais… e os políticos um bocadinho menos. Afinal, a cidade é de todos, mas é preciso quem saiba desenhá-la antes que alguém resolva apenas construí-la.
EFM Stúdio