15/04/2026
𝐁𝐞𝐧𝐠𝐮𝐞𝐥𝐚 𝐧𝐚̃𝐨 𝐩𝐫𝐞𝐜𝐢𝐬𝐚 𝐚𝐩𝐞𝐧𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐨𝐛𝐫𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐝𝐫𝐞𝐧𝐚𝐠𝐞𝐦. 𝐏𝐫𝐞𝐜𝐢𝐬𝐚 𝐝𝐞 𝐢𝐧𝐢𝐜𝐢𝐚𝐫 𝐮𝐦𝐚 𝐞𝐬𝐭𝐫𝐚𝐭𝐞́𝐠𝐢𝐚 𝐝𝐞 𝐂𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞-𝐄𝐬𝐩𝐨𝐧𝐣𝐚.
As recentes cheias na província de Benguela não são apenas consequência da intensidade da chuva. São também o resultado da forma como temos vindo a ocupar e transformar o território urbano.
Durante décadas, a resposta dominante às inundações foi acelerar o escoamento da água através de canais e redes rígidas de drenagem. Essa abordagem continua a ser necessária em muitas áreas consolidadas. Mas hoje sabemos que, isoladamente, já não é suficiente para responder à nova realidade climática.
Cidades como Wuhan, Shenzhen, Shanghai, Bangkok, Copenhaga, Berlim e Viena já demonstraram que existe um caminho complementar: o modelo de cidades-esponja, baseado na capacidade do território urbano de reter, infiltrar e regular a água da chuva dentro do próprio sistema urbano.
Benguela reúne condições para iniciar esta transição.
Mais do que uma solução técnica, trata-se de uma decisão estratégica de planeamento territorial.
Nesse sentido, existem três medidas estruturantes que podem ser iniciadas desde já:
𝟭. 𝗜𝗱𝗲𝗻𝘁𝗶𝗳𝗶𝗰𝗮𝗿 𝗲 𝗽𝗿𝗼𝘁𝗲𝗴𝗲𝗿 𝗰𝗼𝗿𝗿𝗲𝗱𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗻𝗮𝘁𝘂𝗿𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗲 𝗱𝗿𝗲𝗻𝗮𝗴𝗲𝗺 𝘂𝗿𝗯𝗮𝗻𝗮
A preservação das linhas naturais de escoamento é a medida mais eficaz e com menor custo estrutural no controlo de cheias urbanas. A sua ocupação compromete qualquer rede de drenagem existente ou futura.
𝟮. 𝗜𝗺𝗽𝗹𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮𝗿 𝗽𝗿𝗼𝗷𝗲𝘁𝗼𝘀-𝗽𝗶𝗹𝗼𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝗶𝗻𝗳𝗿𝗮𝗲𝘀𝘁𝗿𝘂𝘁𝘂𝗿𝗮 𝘃𝗲𝗿𝗱𝗲 𝗰𝗼𝗺 𝗳𝘂𝗻𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗵𝗶𝗱𝗿𝗮́𝘂𝗹𝗶𝗰𝗮
Wetlands urbanos, valas drenantes vegetadas, bacias de retenção distribuídas e parques inundáveis multifuncionais permitem reduzir significativamente o volume de água que chega às zonas críticas da cidade.
Projetos-piloto permitem testar soluções adaptadas à realidade local com baixo risco e elevado impacto.
𝟯. 𝗜𝗻𝘁𝗲𝗴𝗿𝗮𝗿 𝗼 𝗰𝗼𝗻𝗰𝗲𝗶𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝗰𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲𝘀-𝗲𝘀𝗽𝗼𝗻𝗷𝗮 𝗻𝗼𝘀 𝗶𝗻𝘀𝘁𝗿𝘂𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗽𝗹𝗮𝗻𝗲𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝘂𝗿𝗯𝗮𝗻𝗼
A adaptação climática urbana não deve ser tratada apenas como resposta a emergências. Deve ser incorporada nos planos diretores, nos projetos de expansão urbana e nas estratégias provinciais de desenvolvimento territorial.
Eventos extremos como os recentemente registados em Benguela devem ser interpretados como oportunidades para estruturar uma nova geração de soluções urbanas resilientes.
Transformar risco em resiliência é uma escolha de planeamento.
Transformá-lo em política pública é o próximo passo. 🌧️🌿🏙️
𝘿𝙟𝙖𝙢𝙞𝙡𝙖 𝘾𝙖𝙨𝙨𝙤𝙢𝙖
Arquitecta e 𝖢𝗈𝗇𝗌𝗎𝗅𝗍𝗈𝗋𝖺 𝖾𝗌𝗍𝗋𝖺𝗍𝖾́𝗀𝗂𝖼𝖺 𝗉𝖺𝗋𝖺 𝗉𝗋𝗈𝗃𝖾𝖼𝗍𝗈𝗌 𝖽𝖾 𝖽𝖾𝗌𝖾𝗇𝗏𝗈𝗅𝗏𝗂𝗆𝖾𝗇𝗍𝗈 𝗌𝗎𝗌𝗍𝖾𝗇𝗍𝖺́𝗏𝖾𝗅