02/04/2026
*Meu pai recitava algo parecido:*
A Flor de Maracujá
Encontrando-me com um sertanejo
Perto de um pé de maracujá,
Eu lhe perguntei:
Diga-me, caro sertanejo,
Por que razão nasce roxa
A flor do maracujá?
Ah, pois então eu lhe conto
A história que ouvi contar,
A razão por que nasce roxa
A flor do maracujá.
Maracujá já foi branco,
Eu posso inté lhe jurá,
Mais branco que a caridade,
Mais branco do que o luar.
Quando a flor brotava nele,
Lá pros confins do sertão,
Maracujá parecia
Um ninho de algodão.
Mas um dia, há muito tempo,
Num mês que inté num me alembro,
Se foi maio, se foi junho,
Se foi janeiro ou dezembro,
Nosso Senhor Jesus Cristo
Foi condenado a morrer,
Numa cruz crucificado,
Longe daqui, como o quê.
Pregaram Cristo a martelo,
E, ao ver tamanha crueza,
A natureza inteirinha
Pôs-se a chorar de tristeza.
Choravam os campos, as flores,
Choravam rios e regatos,
E havia um pé de maracujá
Carregadinho de flor
Aos pés de Nosso Senhor.
E o sangue de Jesus Cristo,
Sangue pisado de dor,
Nos pés do maracujá
Tingiu toda a flor.
Eis aqui, seu moço,
A história que ouvi contar:
A razão por que nasce roxa
A flor do maracujá.“