06/06/2026
Casa Altamira
Alguns projetos nascem de um programa. Outros, de uma memória.
Esta casa foi inspirada na sensação de acolhimento e proteção que experimentei ao visitar a Caverna de Altamira, na Espanha. A força daquele espaço ancestral — sólido, silencioso e profundamente conectado à paisagem — tornou-se o ponto de partida para a arquitetura.
Implantada em um terreno com forte declive e uma vista profunda, a residência se revela de forma gradual. O pavimento social foi posicionado abaixo do nível da rua, permitindo que a casa se ancore ao terreno e amplifique a sensação de refúgio.
Pedra e madeira revestem continuamente os espaços, reforçando a percepção de massa e permanência. Em contraste, uma única e generosa abertura se volta para a paisagem. Quando totalmente aberta, seus caixilhos desaparecem dentro das paredes, transformando o ambiente em uma espécie de gruta contemporânea que se abre integralmente para o horizonte.
No centro do living, uma lareira suspensa resgata um dos elementos mais ancestrais do habitar: o fogo. Assim como nas cavernas primitivas, ele atua como ponto de encontro, orientação e permanência, organizando o espaço ao seu redor e reforçando a atmosfera de abrigo que inspirou o projeto.
A estrutura metálica possibilita grandes vãos e reduz a presença de apoios, criando espaços amplos e fluidos. No pavimento superior, um volume envolto por brises filtra a luz, protege a privacidade e confere unidade ao conjunto.
Uma arquitetura concebida para equilibrar abrigo e liberdade, introspecção e paisagem.