15/09/2023
Ao longo da minha vida acadêmica e profissional de arquitetura, observo gradativamente projetos de famílias cada vez mais individualistas, infelizmente.
As mesas grandes, foram substituídas por balcões onde o pai faz sua refeição às pressas, voltado para a parede e sua companhia é a tela do seu smartphone. As cadeiras de antes todas ocupadas, hoje, é solidão e saudade de um futuro que talvez nunca existirá. As risadas leais e os olhares que conversavam, foram substituídos por mensagens de textos. Aquele passa e repassa de alimentos e bebidas, hoje, é passa e repassa do controle da televisão. A comida antes quentinha e que abraçava a alma, agora é uma pizza fria que será requentada no micro-ondas. Os aromas do bolo fresco e do café recém passado, que se confundiam com o bálsamo de uma família feliz, cada vez mais é vencido pelo odor da correria de um sistema acelerado.
Uma rotina frenética, onde os dias e anos passam, e o que parece preencher, são os likes. Uma família que não se senta à mesa, porque o apresentador do reality show vai anunciar o líder da semana. A comida ficou sem sabor, pois se mastiga na velocidade dos frames da TV. O cuidado e o zelo nos detalhes, foram substituídos por ''cada um que cuide de si''.
O amor ficou desacreditado, pois nós o enterramos. O egoísmo tornou a ser elogio. ''Eu me amo e me basto.'' O serviço à família virou motivo de chacota. O amor virou chacota.
Não queiramos este cenário para a nossa família, aquilo que a traça nem a ferrugem corrói, o nosso tesouro. Queiramos HOJE amar. Só temos o agora. Para decidir. Transbordar. Servir, servir e servir.
Sempre o melhor meio de assegurar o bom relacionamento no lar é que cada um se proponha tornar a vida amável aos outros. (As pequenas virtudes do lar)