02/11/2017
O projeto de cercamento da UFRGS no Campus Centro incorpora uma “estratégia” urbana de combate à violência muito utilizada, o urbanismo militar, que além do próprio cercamento representado por muros e cercas elétricas e encontrado em qualquer aglomerado urbano, congrega ferramentas que outrora tiveram função militar (câmeras de vigilância, blindagem, catracas) que mantém suas funções de guerra, a contenção e a vigilância sob o outro. O mecanismo indutor dessa política de segregação e reprodução da desigualdade, e que tem como objetivo a exclusão, é o medo.
A Reitoria da UFRGS parece não atentar-se para o fato de que essa estratégia dá as costas para a cidade e o cidadão, a partir do momento em que o espaço público deixa de ser o espaço de convívio. E distante do que pensamos este não é um caso isolado no ambiente universitário, seja em instituições públicas ou privadas. Se por um lado as instituições de ensino superior (IES) particulares historicamente utilizam de instrumentos e técnicas de contenção, vigilância e de burocracia, que além da função de prezar pela propriedade privada cumprem função de desmobilizar as massas estudantis, as Universidades Públicas tem seguido caminho semelhante. Catracas, câmeras de vigilância, decretos que privam liberdades e legitimam a repressão contra o Movimento Estudantil tornam-se acontecimentos cada vez mais cotidianos, em um cenário nacional caótico.
A decisão de cercamento do Campus Centro da UFRGS leva à universidade duas das piores faces do ambiente urbano, a contenção e a repressão. Muros, grades, câmeras de vigilâncias, cercas elétricas, arames farpados, seguranças armados, batalhões do serviço militar, veículos blindados, exército nas ruas, helicópteros, grupos paramilitares e índices de homicídios que superam os mortos na guerra da Síria, são características em comum de qualquer metrópole no Brasil, também é característica comum nessas cidades o urbanismo militar e o medo, e é através deste modelo que a Reitoria da UFRGS almeja conduzir um projeto de universidade?
Acreditamos que o medo não pode ser a base justificava para a militarização de nossas vidas. Cercas e muros não podem nos proteger de toda a violência, e dentro deles a vida segue com uma completa divisão social. A universidade não deve cercar-se de mais muros ou encher-se de medo ou policiamento, ao contrário, deveria ser papel da Reitoria da UFRGS e de todos os componentes da instituição traçar estratégias que visem a emancipação e não o aprisionamento. Portanto, defendemos o abandono total do projeto de cercamento do Campus Centro da UFRGS, outro projeto de Universidade e de Cidade é possível e nós devemos ser parte dele.