20/12/2019
a casa é sua (?)
artigo publicado por y arquitetos: e , na edição n.59 da
Sua casa o torna alguém melhor ou apenas lhe dá conforto? Potencializa suas capacidades como cidadão ou o isola do mundo? Como profissional, seja advogado, professor ou designer, torna seu trabalho melhor? Seus fluxos mais ágeis? Seu cotidiano mais rico? Como família, ela educa as crianças, fornece princípios e estimula o convívio?
Seus detalhes dão a ideia de lar quando capazes de exprimir a personalidade de quem ali habita. Seja uma foto que rememora uma viagem, seja um quadro herdado da sogra que nos atenta para a família, a ira contida na meia largada pelos filhos na sala, a pilha de livros para ler, a árvore já crescida no quintal que algum dia foi plantada com carinho, em família.
É comum, assim, entender a casa como uma caixa. Algo que, entre muros e paredes, guarda os nossos objetos e dentro deles nossas memórias. Mas até que ponto é ela que te protege? Você a cria e modifica mas ela também o transforma, numa relação mútua que converte os dois em uma só figura.
Além de desenhar esta caixa e seu interior buscamos acessos inusitados que reorganizam o cotidiano e tornam a convivência melhor. Como casa em Campo Largo, onde desenhamos uma entrada exclusiva entre a garagem e a suíte do casal. Permite que a moradora, uma cirurgiã, ao chegar do trabalho, acesse diretamente seu banheiro, descarte a roupa utilizada no hospital, evite contaminação e limpe até o espírito, antes de mesmo de dar boa noite a família na sala.
Aqui também podemos exercitar o conceito de habitar como o local do hábito. O cotidiano que faz e molda a pessoa. Escolhas diárias muitas vezes nos enferrujam, nos cristalizam: comendo, dormindo e vivendo de forma cíclica. Porém, se temos como forjar o cotidiano que nos torna sedentários, ele também poderia nos tornar aventureiros.