31/08/2025
Encontrei ele debaixo do viaduto, tremendo, mas quieto. Não rosnava, não chorava, só tremia. Sentei no chão perto, sem saber o que fazer, mas sabendo que precisava fazer algo. Fiquei ali, em silêncio, esperando que ele se sentisse seguro o suficiente para se aproximar. No primeiro dia, ele foi embora, desaparecendo na multidão da cidade. No segundo, ficou, mas ainda mantinha uma distância segura. No terceiro, comeu um pedaço de frango da minha mão, e eu pude ver um brilho de confiança em seus olhos.
Com o passar dos dias, ele começou a se abrir mais. No quinto dia, encostou o focinho no meu joelho, e eu senti um arrepio de emoção. Eu não disse nada, não queria assustá-lo. Só chorei, deixando que as lágrimas falassem por mim. Nunca soube o nome dele, mas isso não importava. Só chamo de "cara", e ele responde, como se soubesse que é o nome que dou ao nosso vínculo.
Agora, ele é mais do que apenas um cachorro perdido que encontrei na rua. Ele é meu companheiro, meu amigo, meu confidente. Dorme na porta do meu quarto, me segue até o mercado, e ontem, pela primeira vez, me lambeu o rosto quando fui tirar uma selfie. Foi um momento mágico, um momento que nunca esquecerei. Nunca pensei que uma lambida pudesse dizer tanto, mas aquela lambida foi como um abraço, um beijo, um "eu te amo" dito de uma maneira que só ele sabe fazer.
Agora, quando olho para ele, vejo mais do que apenas um cachorro. Vejo um ser que me ensinou sobre a lealdade, a confiança e o amor incondicional. Vejo um amigo que me acompanha em todos os momentos, que me faz rir e chorar, que me faz sentir vivo. E eu sei que, não importa o que aconteça, ele estará lá para mim, sempre.