16/05/2019
ESTAMOS ATENTOS
Propostas de 12 arquitetos para a reconstrução de Notre Dame
Como em toda situação de crise, a catástrofe provocada pelo incêndio em Notre Dame trouxe a cena um interessante acontecimento que convida a estudar e refletir sobre possibilidades que parecia não se poder contemplar, estimulando, assim, o avanço como sociedade. De forma espontânea, vários arquitetos e designes começaram a compartilhar seus projetos de intervenção nas ruínas.
A maioria das propostas vistas até o momento provêm de escritórios franceses, talvez porque para eles o impacto emocial foi mais forte, ou porque sentiram a responsabilidade de pronunciar-se em relação a um tema que esta gerando um intenso debate em seu país.
Nenhuma proposta apresentada até o momento é viável, mas a resposta dos arquitetos foi imediata. Talvez rápida demais. Se aprecia ao verificar as propostas, seu pequeno desenvolvimento gerado a partir de estrategias muito básicas de projeto, que são insuficientes para resolver com gestos únicos uma situação de grande complexidade, a qual obriga a pensar sobre a herança arquitetônica e sobre temas como restauração, a conservação do patrimônio, ou las técnicas de preservação.
É muito interessante observar também a resposta do público frente a este espetáculo que chegou sem aviso prévio. Os cidadãos estão levantando a voz, empoderados e reclamando seu direito a opinar sobre algo que consideram que é seu, um elemento que lhes representa, que é parte de seu patrimônio. Após cada uma das propostas que os arquitetos apresentam através de suas redes, desencadeia-se infinitos debates de particulares opinando, reflexionando sobre o oportuno ou não do projeto, conversando entre eles desde sua ideia sobre o que deveria suceder.
O debate aberto entre los partidários de recuperar e reconstruir o monumento segundo suas formas, volumes e qualidades anteriores ao incêndio — posição fruto de intervenções ocorridas ao longo dos séculos que fazem que, na verdade, se desconheça a catedral original. —, ou oportunizar respostas provenientes de possibilidades da técnica, e da tecnologia contemporâneas, assim como do entendimento dos espaços e das estéticas do momento atual. Enquanto uma terceira via advoga que se conserve o edifício no estado de ruína que resultou após o incêndio — no qual se encontra no momento —, como monumento ao presente e à mudança que deve chegar na Europa —como aponta Andrés Jaque—, em um momento de transição de um mundo que acaba e outro que inicia, como disse Paul B. Preciado.
Fonte: El Pais España