Archè Studio

Archè Studio Escritório de arquitetura, arquitetura de interiores e restauração.

Arquiteta e Urbanista formada pela Universidade Federal Fluminense em 2016, apaixonada pelo patrimônio cultural e arquitetônico, se propõe a executar projetos de arquitetura, design de interiores e restauração, além de trazer discussões sobre temas relacionados.

Ainda sobre o 1° museu casa do país, hoje trago o interior da Casa de Rui Barbosa.Rui Barbosa era entre outras coisas ad...
08/10/2019

Ainda sobre o 1° museu casa do país, hoje trago o interior da Casa de Rui Barbosa.
Rui Barbosa era entre outras coisas advogado, diplomata e político. Fez parte da elite carioca e sua residência fazia jus à posição social a qual ocupava.

Sala de Estar, Sala de Reunião, Sala de Jantar, Sala de Música, com piano de cauda, Biblioteca, vários quartos, dois banheiros, o que à época era absolutamente fora dos padrões sociais, fora os inúmeros quartos e os ambientes de serviço normais de uma casa como Copa e Cozinha.
Rui foi advogado da Light, concessionária de energia do Rio e por isso sua residência foi uma das primeiras a receber energia elétrica da cidade.

As fotos 1 e 2 apresentam os tetos trabalhados. Você sabia que um teto colorido e bem ornamentado era sinal de status?
O teto colorido era frequente em áreas sociais, como sala de estar ou jantar, enquanto que o teto branco, mas bem ornamentado da 2a imagem, demonstra que esse ambiente era da área íntima da casa, como um quarto.
Na 3a foto trouxe o banheiro do casal. Reparem na cuba dupla.
E a gente achando que isso era a última moda do Casa Cor...
A 4a foto trago o revestimento da cozinha. Revestimento que voltou à moda há uns anos. Que coisa, hein?!
A 5a foto é o detalhe da maçaneta de porcelana. Linda!
Na 6a trago a serralheria da escada. Antigamente essas peças eram vendidas em catálogos. O cliente escolhia a peça e o vendedor trazia da Inglaterra.
Na 7a trago a PROSPECÇÃO PICTÓRICA que falei ontem. Observem as camadas de tinta que a casa recebeu duração os anos. A prospeção foi deixada na fachada, mesmo após sua restauração, como uma "janela histórica" para indicar às pessoas as alterações sofridas ao longo dos anos.
Na 8a e última imagem, trago o Quadro de Luz da casa. Interessante, não?

As visitas guiadas são gratuitas e o belíssimo jardim romântico aberto ao público!


Sábado participei de um projeto muito bacana realizado pelo site Arq Guia Rio em parceria com o CAU/RJ , o Conselho dos ...
08/10/2019

Sábado participei de um projeto muito bacana realizado pelo site Arq Guia Rio em parceria com o CAU/RJ , o Conselho dos Arquitetos, para promoção do UIA 2020 , o Congresso Mundial de Arquitetos, que acontecerá na cidade ano que vem.
A iniciativa tem o objetivo de aproximar a população ao patrimônio arquitetônico e urbanístico carioca através de visitas técnicas guiadas em locais de relevância cultural. A última visita abraçou dois locais e hoje falarei de um deles.

Começamos a visita na Casa de Rui Barbosa, o 1° museu casa do país, no bairro de Botafogo.

Localizada em lote de uma das antigas chácaras de Botafogo que, no século XIX era o bairro preferido pela aristocracia como área residencial, a edificação foi tombada e catalogada pelo IPHAN como pertencente do estilo neoclássico, todavia, há controvérsias. Eu discordo dessa "etiqueta" dada pelo órgão e não estou sozinha nessa! Na minha opinião, a casa apresenta alguns componentes da arquitetura eclética e acho q os mais significativos são o seu frontão ornamentado, que, através de prospecção pictórica (técnica para descobrir as cores utilizadas anteriormente na pintura da fachada), descobriu-se ter mais de uma cor e os acréscimos que a edificação recebeu ao longo dos anos com características ecléticas.
Acreditem, arquitetura não é uma ciência exata e há espaço para certas discussões.
Situada no meio de um vasto jardim romântico, foi residência de Rui até 1923.

Hoje além de um museu, o terreno abriga uma Fundação que desenvolve atividades de pesquisa, conservação e educação, além de promover projetos de integração com a comunidade.

O belíssimo jardim é aberto ao público e as visitas guiadas ao museu são gratuitas.

Se quiserem mais informações sobre as visitas guiadas promovidas pelo Arq Guia Rio acessem o Site do UIA 2020.


01/10/2019

Você já visitou um cemitério de azulejos?
Quando não temos dinheiro suficiente para uma reforma total da cozinha, por exemplo, mas por alguma razão precisamos quebrar a parede procuramos nos "Cemitérios de Azulejos" a cerâmica existente no cômodo para recompor o revestimento da parede.
Os "Cemitérios" são, na verdade, lojas especializadas em venda de revestimentos antigos que não são fabricados atualmente. Revestimentos cerâmicos das décadas de 60, 70 e 80 são facilmente encontrados nessas lojas. Sabe aquele piso que tinha na casa da sua vó, que desperta sua memória afetiva? Você encontra por lá! 😉

Hoje, precisei comprar a tampa da caixa acoplada do vaso sanitário do meu banheiro, que quebrou durante a faxina. Essas peças cerâmicas também são vendidas por lá, pois as lojas tradicionais de louça não a vendem separadamente.

Aqui no Rio, encontramos alguns cemitérios de azulejos na Rua Frei Caneca, região central da Cidade.







A vida tem estado tão caótica deste lado de cá, com seus os altos e baixos (mais baixos do que altos) e a corrida alucin...
18/09/2019

A vida tem estado tão caótica deste lado de cá, com seus os altos e baixos (mais baixos do que altos) e a corrida alucinante atrás de um espaço no mercado profissional me abateu e confesso que o desânimo bateu à porta e com isso acabei deixando de lado o trabalho bacana nas redes sociais.
Não é tão fácil trazer conteúdo. Tirar tempo para visitar locais de arquitetura relevante para fazer as fotos e depois fazer pesquisa histórica e finalmente organizar as informações para publicar leva certo tempo e dedicação.

Somado ao desanimo, os últimos meses foram dedicados ao concurso para o Mestrado Profissional do PROARQ, o Programa de Pós Graduação em Arquitetura da UFRJ, a Universidade Federal do Rio de Janeiro.
A dedicação rendeu bons frutos e uma colocação de destaque no concurso. Mudei de casa. Saí da UFF e caí na UFRJ.
E é sobre minha nova casa o meu post de retorno.
Para marcar a ocasião e fazer a energia finalmente circular, hoje trago o edifício da Reitoria, onde também ficam os cursos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – FAU – e a Escola de Belas Artes – EBA.

O projeto é do arquiteto Jorge Machado Moreira. Ele fez parte do grupo de célebres arquitetos que introduziram a escola modernista no Brasil, expoente no mundo! Teve como mestre Lúcio Costa e o francês Le Corbusier, de quem absorveu e desenvolveu seu estilo arquitetônico. Com plantas livres, pilotis, fachadas contínuas, estrutura modulada e terraço jardim. Composições simples que buscavam a racionalidade construtiva e a funcionalidade da edificação.
Em outubro de 2016, o prédio da Reitoria sofreu um incêndio de grandes proporções e até hoje alunos e funcionários sofrem com os danos causados.

Formado em 1932 pela então Escola Nacional de Belas Artes, atual FAU, Jorge Machado Moreira atuou recém formado na execução do projeto, em 1936, marco do modernismo no país, com outros jovens célebres arquitetos - Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Oscar Niemeyer e Ernani Vasconcellos – tendo como arquiteto chefe responsável Lúcio Costa e arquiteto consultor Le Corbusier.
Em 1949 assumiu a direção do Escritório Técnico da Universidade do Brasil, atual UFRJ, com a responsabilidade de projetar 12 edifícios e o planejamento urbano da Cidade Universitária.
A monumentalidade característica deste e de outros edifícios e do próprio Campus do Fundão podemos discutir em outro post.

"Ninguém se torna gênio por determinação expressa de um programa. E quando não se tem dom criador é mais acertado procurar inspiração nas obras já feitas e nas boas ideias alheias, do que insistir em esquecer que a arquitetura é uma arte utilitária, indissoluvelmente ligada a problemas econômicos e sociais. Não pode, por consequência, ser encarada simplesmente como um problema de ordem plástica capaz de ser resolvido, satisfatoriamente, desde que atendido o pendor estético de cada um. A evolução social e as conquistas da técnica e da ciência não nos permitem prever as tendências definitivas da arquitetura contemporânea, mas é indiscutível que as formas falsas e as soluções sem razão plausível serão sempre passageiras".

O arquiteto faleceu em 1992.

Com meu retorno a faculdade para as aulas de mestrado, voltaram as pesquisas. E às vezes, ainda precisamos recorrer ao v...
07/05/2019

Com meu retorno a faculdade para as aulas de mestrado, voltaram as pesquisas. E às vezes, ainda precisamos recorrer ao velho método numa Biblioteca. E foi isso o que me levou à Biblioteca Nacional e é ela o tema do post de hoje.

A maior biblioteca da América Latina, considerada pela UNESCO uma das 10 maiores bibliotecas nacionais do mundo, a BN possui um poderoso acervo, com cerca de 10 milhões de itens, cuja origem remonta às coleções de D. João I que foi consumida pelo incêndio que se seguiu ao terremoto de Lisboa de 1º de novembro de 1755.
A família Real, fugindo de Napoleão, trouxe na mala 70mil peças, que inicialmente foram acomodadas no Hospital do Convento da Ordem Terceira do Carmo.

Já a atual edificação da BN, teve sua pedra fundamental lançada em 1905, quando, embalados pelo movimento de modernização da então capital do Brasil, se inspiravam na Belle Époque Francesa, refletindo os ideais de modernidade da emergente e recém implantada República, que procurava uma nova roupagem arquitetônica e urbanística.
Em estilo eclético, com mesclas Neoclássicas e de Art Nouveau, projetado por Francisco Marcelino de Souza Aguiar, sua inauguração aconteceu em 1910, na então Avenida Central, importante via do projeto de modernização do Centro da Cidade. Avenida de grande relevância no contexto da época, onde também foram construídos os edifícios do Teatro Municipal, do atual Museu Nacional de Belas Artes, o antigo prédio do Supremo Tribunal Federal, hoje Centro Cultural da Justiça Federal e o Clube Militar.

O edifício se tornou um marco arquitetônico por seus aspectos estéticos e também pelos inúmeros recursos técnicos instalados, bastante avançados para o seu tempo.
Passou por duas grandes reformas. Em 1951 e em 2018, com a conclusão da obra de restauro da fachada.
Foi tombado em 1973 pelo IPHAN e em 2005 pelo INEPAC.

Além de ser um lugar de exuberante arquitetura, é um prazer ser atendido por seus funcionários, sempre muito solícitos.
Para aqueles que querem conhecer a BN, são oferecidas visitas guiadas em 3 línguas.

Passado o feriado de Páscoa, essa semana ainda é de descanso para os cariocas com o feriado de São Jorge comemorado aman...
22/04/2019

Passado o feriado de Páscoa, essa semana ainda é de descanso para os cariocas com o feriado de São Jorge comemorado amanhã, dia 23 de abril. E, junto dele, temos a comemoração do dia Nacional do Choro, o tema dos posts de hoje e de amanhã.

O MAIS ANTIGO GÊNERO MUSICAL DO BRASIL, considerado Patrimônio Imaterial do Rio de Janeiro, é comemorado no dia 23 de abril, em homenagem ao nascimento do Pixinguinha, uma das figuras exponenciais da música popular brasileira, e em especial do Choro. Mas engana-se quem acredita que ele é o pai do Choro. Ele foi o músico que certamente popularizou o Chorinho, mas o “pai” do Choro é Joaquim Callado Jr., flautista ‘mulato’ que organizou na déc. de 1870, um grupo de músicos com o nome de “Choro do Callado”.

A história do Choro começa com a chegada da Família Real ao Rio, que passou por uma enorme reforma urbana e cultural. Com a corte vieram instrumentos de origem europeia e também músicas de dança dos salões europeus, como a valsa, quadrilha, xote e, principalmente, a polca, que viraram moda nos bailes por aqui.
Essas novidades somada à abolição do tráfico de negreiro anos depois, podem ser considerados uma “receita” para o surgimento do Choro, já que possibilitou a emergência de uma nova classe social no subúrbio carioca, a classe média, composta por funcionários públicos, instrumentistas de bandas militares e pequenos comerciantes, geralmente de origem negra.
A origem do nome ainda é controversa, mas uma possibilidade é a maneira chorosa e melancólica de se tocar as músicas estrangeiras no final do século XIX fazendo com que as pessoas a chamassem de música de fazer chorar. Daí o nome Choro ou Chorinho e seus tocadores Chorões.

No Rio, as rodas de Choro foram consideradas Bens Imateriais, assim como o próprio Choro e toda a obra musical de Pixinguinha, seu pai adotivo, digamos assim. E para comemorar, amanhã teremos alguns eventos de Choro na cidade.
Um será no IMS – Instituto Moreira Sales – no bairro da Gávea, com a abertura da exposição "Pixinguinha: naquele tempo, hoje e sempre", que ficará em cartaz até 3 de novembro. E o outro evento, que já acontece semanalmente aos domingos, mas que acontecerá amanhã em virtude da data comemorativa, é a Roda de Choro da Glória - ❤️- que acontece no jardim do Museu da República, popularmente conhecido como o Palácio do Catete, no charmoso bairro do Catete. Antiga residência oficial da Presidência da República, quando o Rio era Capital do país. Provavelmente estarei presente nessa linda roda! Vejo vocês lá! 😉

Os dois eventos são gratuitos e ambos são locais agradabilíssimos e tombados pelo patrimônio. A diferença é que o Museu da República é um espaço mais convidativo para as crianças pequenas e com acesso mais facilitado, com a estação de metrô do Catete e ponto de ônibus na frente da entrada principal e um ponto de ônibus na entrada dos fundos, com acesso pela Praia do Flamengo.

Dia de   com grande apego emocional.Formada há 3 anos e afastada da academia desde então, resolvi voltar às aulas como o...
18/04/2019

Dia de com grande apego emocional.
Formada há 3 anos e afastada da academia desde então, resolvi voltar às aulas como ouvinte no mestrado da UFF, a Federal Fluminense, onde me formei em 2016.
O Campus da Escola de Arquitetura e Urbanismo é, sem querer “puxar sardinha”, o mais charmoso, com suas edificações tombadas pelo município de Niterói e pelo estado do Rio de Janeiro, num jardim com árvores frondosas e muito aprazível.
Essa era a imagem que eu tinha durante os anos em que passei por lá, até o meu espanto quando retornei há três semanas.
O campus com árvores mortas, jardins sem cuidado, mato crescendo, caminhos interditados, edificações em péssimo estado...Uma tristeza assistir ao sucateamento das instituições públicas de ensino, referência de qualidade.

Mas nada de choro! Vamos ao que interessa!

As 3 primeiras fotos foram tiradas em 2014. A primeira é o Chalet, construído em 1888. O antigo proprietário vendeu a chácara para a companhia inglesa Western Telegraph que, em 1920, construiu o alojamento para funcionários, conhecido como Casarão, presente na foto seguinte.
A companhia inglesa vendeu a chácara em 1943 para a Companhia de Melhoramentos de Niterói. Em 1956, os prédios passam a ser utilizados pelo Serviço de Águas e Esgotos da Prefeitura. É neste período que começa a ocupação dos imóveis pela Escola Fluminense de Engenharia - que atualmente ocupa parte de dois edifícios de 5 andares no mesmo campus.
Em 1957, a Escola foi federalizada e incorporada à UFF. Em 1975, o Chalet e o Casarão passaram a ser utilizados pelo Curso de Arquitetura e Urbanismo.
O Chalet é um exemplar de moradia do meado do séc. 19 com sua fachada avarandada, encimada por frontão triangular, ornamentado com lambrequins de madeira e rendilhado de ferro.
O Casarão possui detalhes que denunciam a origem inglesa do projeto, como podem ver na 3a foto. Sucessivas reformas retiraram do Casarão a varanda original.

As fotos seguintes foram feitas em março deste ano. Abandono e descaso.

O Le Monde, jornal francês, trouxe a público, discussão que permeia os ambientes do patrimônio.Reconstruir ou não recons...
17/04/2019

O Le Monde, jornal francês, trouxe a público, discussão que permeia os ambientes do patrimônio.
Reconstruir ou não reconstruir?
Qual teoria da restauração adotar?
Quais as razões para se adotar uma postura teórica em detrimento de outra e quais são seus resultados?

Vidéo - Approuvé en 2017, le projet de reconstruction de la flèche et de la tour nord de la basilique Saint-Denis, disparues depuis 150 ans, ravive la question de l’authenticité des monuments anciens. Les reconstruire, est-ce respecter leur histoire ou la bafouer ?

O Le Monde, jornal francês, trouxe à público, discussão que permeia os ambientes do patrimônio.Reconstruir ou não recons...
17/04/2019

O Le Monde, jornal francês, trouxe à público, discussão que permeia os ambientes do patrimônio.
Reconstruir ou não reconstruir?
Qual teoria da restauração adotar?
Quais as razões para se adotar uma postura teórica em detrimento de outra e quais são seus resultados?

Vidéo - Approuvé en 2017, le projet de reconstruction de la flèche et de la tour nord de la basilique Saint-Denis, disparues depuis 150 ans, ravive la question de l’authenticité des monuments anciens. Les reconstruire, est-ce respecter leur histoire ou la bafouer ?

Endereço

Rio De Janeiro, RJ

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