01/09/2025
Eletrificação dos Bondes de Santa Teresa
No dia 1º de setembro de 1896, teve lugar a cerimônia inaugural da substituição da tração animal pela elétrica nos bondes da Companhia Ferro-Carril Carioca, e da passagem das linhas sobre os Arcos da Carioca, ligando o morro de Santa Teresa ao de Santo Antônio.
A força motriz era produzida por duas possantes máquinas a v***r, montadas na estação da rua do Riachuelo e conjugadas com dínamos hexapolares “Thompson-Houston”, podendo cada unidade desenvolver 200 HP. As caldeiras eram do tipo “Stirling”, premiado na Exposição de Chicago de 1893. A chaminé, toda de aço, media 30 metros de altura.
O arrojado empreendimento faz recordar a figura do Dr. Eduardo Augusto de Souza Santos, presidente daquela Companhia, que, não sendo engenheiro, mas médico, transformou em viaduto o velho aqueduto do Conde de Bobadela.
Naquele dia, à 1 hora da tarde, após a benção da estação, ao lado do edifício da Imprensa Nacional, por detrás do Chafariz (ambos já demolidos), partiram pela nova linha, que ali começava, sete bondes elétricos, indo no primeiro a banda de música e nos seis restantes o representante do Dr. Prudente José de Moraes e Barros, Presidente da República, o Chefe de Polícia, o Diretor de Obras da Prefeitura, outros funcionários municipais e federais, a diretoria da Carril Carioca, o Sr. James Mitchell, representante da General Electric Company, e grande número de senhoras e cavalheiros.
Transposto o morro de Santo Antônio, o Dr. Eduardo Santos assumiu o “controller” de um dos elétricos, em lugar do motorneiro, e percorreu os Arcos, ainda sem a tela que guarnece os lados, a uma altura de 18,16 metros do solo, produzindo extraordinária sensação entre os presentes.
“Houve, naturalmente – conta o Dr. César Leitão – quem achasse arriscada a travessia; maior, porém, foi o número dos que se extasiaram com a beleza do panorama que dali se descortina. E os chapéus de palha que voaram das cabeças, em meio a essa contemplação?”
Prosseguindo a viagem, sob os aplausos dos moradores de Santa Teresa, chegou a comitiva ao largo do França, final da linha eletrificada.
(Charles Julius Dunlop no livro Rio Antigo)