17/07/2020
Ao final desta pandemia teremos algumas certezas. Uma delas é: jamais seremos os mesmos novamente. Outra certeza é que os espaços públicos em que compartilhamos em sociedade também deverão sofrer mudanças.
O forte impacto econômico que a quarentena vai causar, e já está causando, no país e no mundo, afetará também na disponibilidade de recursos para investimentos em novas infraestruturas de espaços públicos em cidades. Não é preciso lembrar da relevância dos espaços verdes de lazer, esporte e cultura na configuração de cidades mais justas, inclusivas, saudáveis e economicamente dinâmicas.
Devemos parar e pensar no futuro: como criaremos mais áreas públicas como praças e parques após este período de reclusão? Claramente que uma situação atípica como essa nos exigirá soluções inovadoras.
Podemos começar a discutir uma estruturação mais integrada dos espaços públicos nas cidades. Quer seja no planejamento urbano, trabalhando com legislações que incentivem a área de uso comum em frente a edificações privadas, tirando proveito do recuo frontal, por exemplo, para criar áreas mais amplas, verdes e ventiladas na cidade, ou na interpretação integrada do planejamento dos espaços públicos e equipamentos.
Outra questão muito relevante a ser discutida: o uso das ruas como espaço público. Não seria nenhum absurdo desenvolver um programa que fechasse uma série de ruas aos finais de semana para fluxo de veículos buscando ampliar o convívio social nos bairros.
Seriam estas algumas das soluções mais econômicas do que estruturar uma série de novos parques e praças em um momento de crise, elas dependeriam apenas de gestão de processos e não de investimentos públicos altos.
Depois de passarmos por essa crise, teremos pela frente uma batalha árdua que será devolver as cidades seu protagonismo.