01/07/2013
O lugar de pedestre é na calçada.
Ou pelo menos deveria ser. Fora da calçada, só na hora de atravessar a rua e, preferencialmente, na faixa a ele destinada. Parece não haver dúvidas a esse respeito. Mas basta que olhemos o que acontece na nossa cidade para começarmos a duvidar se todos entendem isso.
Um olhar mais atento muda, no entanto, o questionamento. A questão não é se as pessoas entendem que a calçada é o local do pedestre: o pedestre na verdade não encontra a calçada. Pelo menos a calçada destinada ao deslocamento de pessoas. Aqui encontramos a calçada para estacionar carros, a calçada para prática de alpinismo entre os seus inúmeros desníveis, a calçada para colocar postes, a calçada dos latões de lixo, a calçada como rampa de entrada de carros, a calçada com crateras lunares, a calçada para colocar mostruário das lojas, a calçada para as bancas de ambulantes e... melhor parar por aqui.
Só não encontramos a calçada para caminhar, pelo menos aquela calçada básica, só para o deslocamento das pessoas, com segurança, sem risco de ser atropelado, de cair num buraco, de tropeçar no desnível do piso, se livrando dos postes da sinalização, dos da rede elétrica, das lixeiras.
Na verdade precisamos mais do que calçadas: precisamos de passeios públicos, que sirvam para o deslocamento apressado dos que vão para o trabalho ou para o compromisso importante, mas que sejam também locais para o passeio, conversando com os amigos, olhando a cidade, as vitrines, de mãos dadas com alguém, tomando um sorvete numa tarde quente, levando as crianças pela mão... E mais: encontrando um banco em que se possa sentar, protegido pela sombra de uma árvore; a lixeira, para que o cidadão possa mostrar sua civilidade não jogando o lixo no chão; o telefone público, que anda meio fora de moda, mas ainda é útil; a floreira que dá vida e embeleza a paisagem construída, tudo projetado visando a funcionalidade e dotado de um bom desenho, sem que sua existência prejudique os que precisam simplesmente se deslocar.
Por que nossa realidade é tão diferente disso?
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