08/06/2026
Quando recebi o convite do para ir ao Marrocos, sabia que seria uma viagem de repertório. O que não sabia era o quanto ela me desafiaria a repensar algumas certezas sobre design, referência e arquitetura.
Passei dias em Marrakech imerso numa cultura que trata o detalhe como algo sagrado e que carrega camadas que eu não esperava. A influência francesa convivendo com a herança muçulmana e a cultura berbere. Estilistas como YSL, Hermès e Bulgari com casas ali, coleções inteiras inspiradas na cidade. Um cosmopolitismo que não aparece nos guias. Jardim Majorelle, Museu YSL, Medersa Ben Youssef, os souks, as Montanhas Atlas, a cerimônia do chá berbere, o jantar no Deserto de Agafay, cada lugar com uma camada própria, cada experiência com algo a ensinar. À noite, fiz questão de explorar: os melhores restaurantes, a vida nas ruas, os contrastes entre o luxo e a simplicidade do souk.
No dia livre, fui a Casablanca especialmente para conhecer a Mesquita Hassan II, a única aberta a não muçulmanos no país. Sabia que era grande, sabia que era bonita, mas nenhuma foto prepara para o impacto de estar lá, com o Atlântico logo atrás e aquele nível de detalhe artesanal numa escala que não parece real.
Uma coisa que quero registrar: Marrakech é surpreendentemente liberal. Vi muita gente com dúvidas sobre segurança antes de ir, especialmente mulheres. A realidade foi outra. O grupo todo se sentiu seguro, as meninas saíram à noite sozinhas, e os próprios guias abriram o primeiro dia falando sobre isso.
Obrigado ao por uma curadoria que respeitou tanto o nosso olhar profissional quanto a nossa experiência humana. E obrigado ao grupo incrível que viveu tudo isso comigo!