“Na interrelação volume-planta, forma-função, a geometria da planta deve ser tão bela quanto a do volume. Enquanto as circulações, os layouts de mobiliários, dos equipamentos e as dimensões dos espaços não estiverem perfeitamente adequados às necessidades colocadas pelo programa o desenho não será arquitetura, será apenas desenho”. Gostaria de expor neste texto, resumidamente, meu olhar sobre a ar
quitetura...
O Fascinante nesta profissão é que o arquiteto, em um mesmo trabalho, passeia da necessária flexibilidade intelectual e capacidade de criar, à necessária e rígida austeridade técnica... como em um mesmo filme ir da comédia ao drama, passando pelo romance!
É fundamental, na concepção do projeto exercitar a capacidade criativa através da liberdade de pensar (sonhar) e ir se tornando austero na medida que a evolução natural do trabalho exige, até garantir que a obra, objetivo principal do processo, seja fiel ao pensamento desenvolvido na concepção.
É bonito notar que o processo projetual bem dirigido devolve aos envolvidos a satisfação do sonho em forma de realidade, eis aí a poesia pronta!!
É de suma importância a consciência de que todo e qualquer trabalho de arquitetura requer muito esforço intelectual e braçal, condição única para atingir resultados satisfatórios. Estar preparado e ter claro os desafios que ocorrerão em cada fase do projeto é muito importante para garantir um processo equilibrado, feliz e de sucesso. O trabalho braçal só será menos árduo quando acompanhado da carga de paixão produzida no processo criativo...
“A felicidade no trabalho vem da autorrealização criativa que não pode ser alcançada no trabalho unicamente braçal. Essa felicidade acontece quando se assegura aos trabalhadores liberdade, coordenação pacífica com os outros, relacionamento direto entre vida e trabalho, redução de incerteza, aumento da cordialidade recíproca e uma série de fatores que fazem com que o trabalho seja como a vida. O trabalho de chão de fábrica não é assim. Fato é que se usa a expressão “tempo livre”. Ora, isso quer dizer que existe um tempo “prisioneiro”, aquele intervalo de tempo em que a pessoa deve obrigatoriamente fazer o trabalho braçal. Esse tipo de trabalho deve ser reduzido ao mínimo possível. Cinco, seis horas no máximo. Não se deveria exigir de um operário que ele trabalhasse oito horas, como um professor, porque o trabalho do operário o anula, enquanto o do professor o estimula. O trabalho apenas manual, que não requer nenhuma ação criativa, é uma violência contra o ser humano. Ele é anti-humano”. Domenico De Masi
Entrevista para revista Donna - 2014