24/02/2026
Tem referências da arquitetura nordestina que são pura função — mas carregam uma poesia difícil de explicar.
A porta holandesa é uma delas.
Na casa da minha avó e da minha madrinha, a porta era dividida ao meio.
A parte de baixo ficava fechada.
A de cima, quase sempre aberta.
Era assim que a casa respirava.
A ventilação natural entrava, a luz atravessava o ambiente…
mas as galinhas e os patos continuavam do lado de fora.
Era uma solução simples.
Inteligente.
Adaptada ao lugar.
E ao mesmo tempo, era ponto de observação.
Dali se via o quintal o movimento, as conversas.
A casa não se isolava — ela participava.
A porta holandesa não era sobre estética.
Era sobre clima, rotina e convivência.
Arquitetura regional nasce disso:
do entendimento do território e da vida que acontece nele.
Quando falo que crio projeto com memória, é disso que estou falando.
De soluções que carregam história, função e pertencimento.
Porque casa, para mim, sempre foi isso:
proteção, ventilação e vida acontecendo ao redor.