28/08/2016
Uma breve explicação de uma das muitas coisas que nós arquitetos fazemos...
Ouvi e li de faz muitos anos, um erro muito estendido tanto entre os meios de comunicação como a população em geral, e que certamente afeta de forma fundamental ao trabalho e conceito que se tem, do trabalho dos arquitetos. Está é a confusão entre os termos "design" e "projeto" que é muito corrente.
Parece que volto aos velhos tempos como esse post sobre 'arquitetos o que fazem?', mas é claro que algumas questões se retroalimentam ao longo do tempo, e isso ainda era muito aberto.
Arquitetos não desenhamos, projetamos. A pergunta pode parecer simples e quase petulante de minha parte, me desculpem, mas é que a diferença entre os dois termos é bastante mais complexa do que o Intuimos em princípio, e até mesmo seus significados são essências puras para a compreensão da profissão de arquiteto. Enquanto o termo design tem caráter meramente descritivo; projeto, além do que o acima foi definido, exige uma proposta qualitativa e quantitativa, finalidade.
Entre outros muitos instrumentos que o arquiteto tem, o projeto de arquitetura baseia-se na conformação de uma ideia, seu desenvolvimento e a realização da correta execução. É precisamente onde reside um dos poderes ou valores que tem o arquiteto, que, colaborando ou não com outros profissionais, é conhecedor de como construir sua ideia, controlando assim o processo até à sua conclusão. Qualquer outro caminho é desvirtuar o sentido da nossa profissão e até mesmo, na minha humilde opinião, impedir a qualidade do objeto arquitetônico, seja uma residência unifamiliar, um arranha-céus ou uma cadeira.
Certamente essa ideia, que já tinha adoptado desde meus tempos de estudante, aumentou graças a meu trabalho atual, 4 ou 5 horas ao pé da obra, me fizeram ver a arquitetura ainda mais próximo à realidade. No meu trabalho, se você não sabe como se constrói, não existe.
Blogs ou sites de Arquitetura/Design já não me estimulam como antes, ou talvez ,da forma como eles as expõem, só de maneira supérflua ; Mas é agora mais que nunca, entendo do "pornográfico" das revistas de arquitetura, aquelas que quando éramos estudantes consumíamos com alguma ansiedade. Agora do ponto de vista de um esquartejador, tento deduzir ou adivinhar o que está escondido por trás de seus materiais: sistemas construtivos, cantos, estruturas, montagens, impermeabilizações, materiais de isolamento... e com espírito muito mais crítico que antes; eu duvido deles, tanto das virtuais, como das de edição gráfica, duvido dos renders de suas estruturas impossíveis, soluções na incompatibilidade material-função , das arestas vivas, suas medidas... arquiteturas sobre exploradas somente no segmento do desenho, sofredoras pela tendência da moda, exageros difícil até mesmo de suportar sequer o peso do papel necessário para desenhá-las em uma escala de secção construtiva 1:10... como qualquer um que encontrei... que o que você vê e o que não vê?
Se não sabemos como construir, não existe.