09/09/2025
Nesse final de semana, dezenas de pessoas foram detidas ao protestarem contra o genocídio na Palestina e contra a decisão do governo de incluir o grupo Palestine Action na lista de organizações terroristas.
Na manhã de segunda-feira, surgiu na fachada do Palácio da Justiça uma nova obra de Banksy, artista anônimo mundialmente conhecido por suas intervenções urbanas, muitas delas com fortes críticas sociais e políticas. A obra mostra um juíz agredindo um protestante.
Já na terça-feira, a pintura foi coberta e sua remoção foi confirmada com a justif**ativa de que se trata de um ato criminoso - afinal, o prédio é tombado e, segundo a nota oficial, deve “manter sua aparência original”.
É verdade que intervenções em bens tombados precisam de autorização. Mas o argumento de “preservar o caráter original” é discutível. No Reino Unido, a conservação patrimonial se baseia no princípio da gestão da mudança: entende-se que edifícios mudam junto com a sociedade, e cada decisão passa por pesar danos e benefícios.
Então f**a a questão: a obra de Banksy, naquele lugar estrategicamente escolhido pelo artista para expressar sua crítica, diminui ou amplia o valor do edifício? O que faz mais sentido: a preservação da fachada limpa como original, ou com a nova arte, que expressa os conflitos do nosso tempo?
E, no fim das contas, a quem interessa a remoção? É mesmo por questões de preservação do patrimônio?
Há outras questões, mas deixarei pra vcs continuarem nos comentários.
Foto 1 - Fachada do Palácio da Justiça (fonte REUTERS/Jack Taylor)
Foto 2 - Arte do
Foto 3 - Protestante pró Palestina sendo presa (fonte James Manning)