11/08/2019
Viajar ao exterior nos ajuda a expandir a perspectiva de nosso próprio país. Qualquer lugar pode ter muito a nos ensinar se olharmos com atenção e sem preconceitos e lembramos que nem tudo é bom em quem admiramos e nem tudo é ruim em quem não admiramos.
Ir a Dubai me ensinou muita coisa.
Em uma geração, Dubai passou de um deserto inabitável e miserável a um dos lugares mais prósperos do mundo.
Não foi só o petróleo que fez isso acontecer. Atualmente, petróleo e gás correspondem só a 7% da economia de Dubai. Sozinho, o petróleo não garante o sucesso econômico de nenhum país. As reservas de petróleo da Venezuela são 3 vezes maiores do que as dos 7 emirados que compõem os Emirados Árabes Unidos somados.
Dubai usou os recursos do petróleo para fortalecer-se como centro de comércio, desenvolvendo sua infraestrutura e garantindo educação e saúde de qualidade e gratuitas a todos os seus cidadãos. Isso, somado a impostos baixos e tolerância religiosa e cultural, atraiu investimentos e talento de todo o mundo. 80% dos trabalhadores são estrangeiros. As leis são rígidas, a criminalidade quase inexiste e a limpeza das vias públicas impressiona.
A transformação em Abu Dhabi foi parecida.
Na minha opinião, os Emirados Árabes Unidos não são exemplo de liberdade política, nem de costumes para ninguém, muito longe disso, mas isso não é razão para não aprendermos com a parte que funciona bem por lá. O sucesso econômico não aconteceu em função do totalitarismo político, nem dos costumes rígidos, mas apesar deles.
No Dia dos Pais, volto para casa sonhando com a transformação econômica que o Brasil pode fazer se souber usar os recursos do pré-sal, enfrentar grupos de interesse que se apropriaram do Estado e utilizar bem os recursos públicos, endurecer o combate ao crime e à corrupção e investir em qualificar os brasileiros. Imagine o país que podemos deixar para nossos filhos.