01/10/2024
Era uma vez uma chave… mas não era uma chave qualquer! Esta era a chave mais desajeitada da cidade. Enquanto todas as outras chaves andavam direitinhas, orgulhosas do seu papel de abrir portas e cofres, esta chave tinha outras ambições. Sonhava ser bailarina, mas com aquele pescoço torto, mal conseguia equilibrar-se em cima de um prego.
Certo dia, cansada de ser gozada pelas outras chaves do porta-chaves, decidiu partir à aventura pela cidade. “Já que não sou boa a abrir portas, ao menos vou conquistar o mundo!”, pensou. E lá foi ela, serpenteando pelas ruas, com aquele ar de diva desconjuntada.
Ao virar a esquina de uma rua estreita, encontrou uma fechadura que parecia olhar para ela com um ar de desconfiança. “Achaste que eu te ia deixar passar?”, perguntou a fechadura. A chave, já habituada ao desprezo, respondeu com a sua melhor postura: “Não estou aqui para abrir nada, querida, estou a caminho da minha carreira de modelo!”
E assim continuou o seu desfile, pelo meio das vielas, entre olhares curiosos e portas trancadas. Até os candeeiros riam dela. No final do dia, porém, a chave sentiu que tinha cumprido o seu destino: afinal, não precisava de abrir portas para brilhar… quando se é uma chave de personalidade!