16/09/2020
𝑪𝒐𝒏𝒕𝒊𝒏𝒖𝒂çã𝒐 𝒅𝒂 𝒄𝒂𝒓𝒕𝒂 𝒂𝒐𝒔 𝒄𝒖𝒊𝒅𝒂𝒅𝒐𝒓𝒆𝒔:
“… Se, no momento das refeições, for incapaz de cortar os alimentos, espero que alguém o faça por mim. Se for preciso, não tenho nenhum inconveniente em comer com colher, desde que me sirvam a comida num prato fundo e não em prato raso, que me obrigaria a ir à caça dos alimentos. Gostaria de ter um guardanapo, nem que seja de papel, mas que não seja um “babette”…
Se me tornar incontinente, poderiam continuar a olhar para mim como um ser humano? Por favor, não me façam cara feia quando descobrirem os meus lençóis molhados! Não me tratem nunca por “porquinha”, não me ralhem como se o fizesse de propósito. Se posso usar fraldas, não me ponham uma algália por razões puramente práticas. Não quero passear-me com um s**o de urina pendurado: seria objeto de curiosidade dos outros, o que me causaria um enorme mal estar psicológico.
Seria uma prova de gentileza de vossa parte algum interesse pela minha família, pelas fotos que tenho na mesa de cabeceira; no entanto parecer-me-ia pouco caridoso que me perguntassem por que não se ocupam de mim os meus familiares ou porque razão os meus filhos não vêm visitar-me mais vezes ou não me têm com eles.
Serei feliz se puder sair de vez em quando, ver as árvores em flor na primavera, o mar no verão ou simplesmente instalar-me no jardim quando o tempo o permitir.
Quando estiver internada o meu mundo será muito reduzido; permitam-me que participe no vosso. Falai-me da vossa família, dos vossos amigos, deixai que fale da minha vida passada. Fingi, se for preciso, que vos interessais, mesmo quando repetir o que disse ontem, ou antes de ontem.
Poderei parecer-vos exigente, exagerada nos meus pedidos, mas o que desejo é só:
- quero ter afeto;
- quero ser bem tratada;
- quero ter uma pessoa amigável que se ocupe de mim.
Estou segura, queridos cuidadores, que já utilizais todos estes princípios, mas seria bom que os transmitísseis às cuidadoras jovens já que, em 2020, quero ser atendida por peritas, que sejam amigáveis como profissionais competentes. Ao fim e ao cabo, não desejareis o mesmo para quando estiverdes na mesma situação que eu?”.
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