16/02/2026
Não tenho conseguido manifestar-me á altura dos acontecimentos que atingiram não só Leiria mas todo um país. Demorei algum tempo porque sinto que existe urgência, na reconstrução, na volta á normalidade, mas a Natureza está a exigir que se olhe por ela, que seja vista, ouvida e sentida.
O território não é suporte — é organismo vivo.
Sou arquiteta e há anos que trabalho e insisto numa ideia simples: construir não pode continuar a significar retirar vida ao lugar onde se constrói. Tornar cinzento e morto o que antes era verde e vivo. O solo não é vazio. A paisagem não é cenário. O território é sistema — respira, regula, protege e sustenta.
Ao longo destes 25 anos da prática fui percebendo um desfasamento crescente entre o ritmo da construção e o tempo da natureza. Planeamos metros quadrados, índices e volumes — mas raramente planeamos ecossistemas.
Sempre defendi que a primeira pedra de um projeto devia ser uma árvore — não como gesto simbólico, mas como princípio de projeto e de responsabilidade.
Lanço hoje a Plataforma Nacional de Arquitetura Regenerativa — Construir em Simbiose com a Terra — uma iniciativa para integrar ecossistema, arquitetura e ordenamento numa nova prática de construção responsável.
Este é um convite a técnicos, projetistas e decisores — mas também a pensadores, investigadores, criadores e a todas as pessoas que sentem que o planeta não é recurso: é relação.
Precisamos de conhecimento, mas também de consciência.
Precisamos de técnica, mas também de cuidado.
Defendemos regeneração ecológica mensurável associada a cada nova intervenção construída:
• cada projeto deve criar ecossistema funcional
• cada área impermeabilizada deve devolver solo vivo
• floresta não é plantação — é comunidade biológica
• infraestrutura verde é infraestrutura territorial
Não é anti-construção.
É pró-território vivo.
Estou a reunir um núcleo multidisciplinar — técnico e reflexivo — para transformar estes princípios em critérios, métricas e propostas concretas.
Se pensas, estudas, projetas ou simplesmente sentes a responsabilidade de cuidar da Terra — junta-te à conversa.
Se vamos construir futuro, podemos fazê-lo em conjunto. Aguardo pela tua MP