A NOSSA ARQUITETURA MODERNA
Procuramos a cidade porque queremos estar perto do que acontece ou ambicionamos fazer acontecer. Ou viver lá porque é a nossa casa, o sítio onde nascemos e não cessa de nos dar razões para nele continuarmos a sentirmo-nos bem. Ser urbano é questionar em permanência, estar aberto ao andar do tempo. Olhar para a história e perceber que ela não é um fim em si mesmo. Esse
olhar crítico resulta, quase sempre, dos desafios do avanço tecnológico e do pensamento crítico. Por isso é que os gostos e as modas existem. Ideias, comportamentos, roupas, utensílios, meios de transporte e de comunicação mudam. E vão sendo adoptados. Também na Arquitectura, claro. Os edifícios, com as mais diversas utilidades e tipologias, mudam, sabemo-lo bem. Todos têm essa percepção. Mesmo em Portugal, onde o peso da História nos leva, muitas vezes, a preferir um olhar enamorado de si mesmo ao referimo-nos ao passado desta comunidade, esquecendo as mudanças radicais que a ajudaram a construir. Os últimos três séculos definiram-nos como periféricos, em maior ou menor grau, em relação aos grandes movimentos e convulsões estéticas e sociais do Ocidente. Da Revolução Industrial apenas apanhámos as migalhas, muitas décadas depois do seu início. Um grande peso dos valores tradicionais, colocados como fulcro do regime ditatorial do Estado Novo, fecharam o país a influências exteriores durante metade do século XX. Ainda assim, e apesar disso, fez-se muita arquitectura moderna entre nós – tanto em Portugal, como nas antigas colónias. Mas, o que é isso? Conjunto disperso de correntes estéticas, a expressão sintetiza os princípios que presidiram uma nova concepção de centro urbano e dos seus edifícios, mais de acordo com as exigências de um mundo industrializado. A funcionalidade e a clareza das formas cortavam com o que estava para trás. Como todas as correntes, aliás. Muitas obras arquitectónicas existentes nas nossas cidades são, porém, olhadas pela generalidade dos portugueses com alguma indiferença. E desconhecimento. Não tendo ideia do valor de uma coisa, não se pode defendê-la. A descaracterização e a destruição são ameaças reais. A Nossa Arquitectura Moderna quer mudar esse estado de coisas. Pretendemos colocar o Cidadão no centro da relação com a Arquitectura e a Cidade em Portugal. Ao coleccionar aqui um mostruário dos mais importantes edifícios construídos, em território nacional, de acordo com os princípios da arquitectura moderna, esperamos contribuir para alargar o conhecimento sobre a mesma. E assim suscitar o interesse, contribuindo ainda para que não se perca muita da informação existente. Não só sobre o seu exterior e interior, mas também sobre os materiais usados. Queremos estabelecer um diálogo aberto com os portugueses, despertando-lhe a curiosidade, pedindo-lhe que nos ajude a identificar e a cartografar o que de melhor foi feito por cá no âmbito d’A Nossa Arquitectura Moderna.