SÁS - Susana Árias da Silva - Arquitecta Paisagista

SÁS - Susana Árias da Silva - Arquitecta Paisagista Consultoria e projetos de Arquitetura Paisagista. Apoio técnico a empresas e instituições públ

«Vamos muito brevemente ser um Estado sem território». O alarme é dado por Gonçalo Ribeiro Telles, que considera trágico...
19/06/2024

«Vamos muito brevemente ser um Estado sem território».

O alarme é dado por Gonçalo Ribeiro Telles, que considera trágico não existir uma política agrícola nacional baseada em matas, sebes e compartimentação do espaço.

«É urgente fazer o reordenamento do território "a sério," não para a floresta mas para as árvores em todas as suas funções», afirma. Tudo porque o nosso País «não é um País florestal».

«É um abuso inqualificável dizer que está a arder uma floresta em Portugal. Cientificamente, esta afirmação não tem qualquer validade».

Para o fundador do Movimento Partido da Terra, o que está a funcionar como um barril de pólvora são povoamentos mono específicos (de uma só espécie) desprovidos de qualquer variedade biológica. Não se trata de mata ou de floresta, mas sim de mato, que exige a permanente limpeza para a produção de madeira destinada à indústria.

Considerado o primeiro ecologista português, Ribeiro Telles acusa os Governos, os autarcas e as universidades de «ignorância atroz», por terem uma noção completamente errada do território e por defenderem «a floresta inexistente». «É uma anedota absurda», lamenta.

O que deve ser feito, então, urgentemente? O ordenamento do território implica o investimento na mata, que deve funcionar por «zonagem», ao preencher as zonas frágeis em termos de erosão, ou seja, nos grandes declives e nas barreiras. Ao mesmo tempo, é importante construir as sebes para a agricultura, com o objectivo de defender as culturas. «A sebe é o estádio final da mata para permitir a agricultura do homem», explica, e «nada disto está a ser feito».

A terceira aposta, deve ser a recuperação dos montados de sobro ou de azinho (cortiça) ou dos soutos (castanheiros). O montado é uma interface entre a agricultura e a pecuária, uma pastagem «que raramente arde e que regenera facilmente».

Outro aspecto fundamental no ordenamento do território é a ocupação do espaço e a recuperação da aldeia. Para o arquitecto paisagista é necessário valorizar o sistema aldeão, porque corremos o risco de ter o País despovoado e à mercê dos grandes empreendimentos, idêntico à exploração dos madeireiros da floresta Amazónica.

«Numa escala diferente, estamos também a expulsar os índios, como acontece quando vimos as populações a correr quando há os fogos».

Encara como «embuste», a forma recorrente de se responsabilizar os proprietários por «deixarem os terrenos ao abandono». Diz que os donos das terras vieram para a cidade e perderam a orientação dos marcos, que foram sendo retirados ao longo dos tempos. Hoje é impossível reproduzir o cadastro, porque não sabem quais são os limites da propriedade.

«DESASTRE» COM ORIGEM NOS ANOS 30

Gonçalo Ribeiro Telles enuncia três etapas que contribuíram para «a destruição do País». Os erros começaram no século XIX com plantação de pinhal bravo, que existia apenas nas areias do litoral. O País, que era um carvalhal compartimentado por culturas, passou a ter uma percentagem excessiva de pinheiro bravo. Mais tarde, por volta de 1930, assistiu-se à arborização de 400 mil hectares de baldios, no Gerês, com pseudo-tesugas, pinheiros, cedros, faias e carvalhos-americanos, que acabou por «expulsar» as comunidades de agropecuária do Norte.

Recorda que a política da época está retratada no livro «Quando os Lobos Uivam» de Aquilino Ribeiro.

A seguir, apareceram os eucaliptos, e novamente os pinheiros, para satisfazerem as indústrias de celulose e de madeiras para a construção civil. «Assim desapareceu a agricultura no fundo dos vales, a cabra que dava leite e cabrito, o leite que dava queijo, ou os matos que davam o mel e a aguardente de medronho. Um cenário muito diferente daquele que existe, onde se vê crescer o pau com destino para a celulose».

«Estas produções podiam não ter grande peso para o Produto Interno Bruto (PIB) mas contribuíam para a fixação de população no local», sublinha.

«Hoje somos um País sem população no interior - entregue às grandes extensões de povoamentos para a indústria - com taxas de emprego altíssimas no litoral. Portugal está transformado num deserto».

O ex-ministro de Estado e da Qualidade de Vida culpa ainda as autarquias por «não entregarem» as aldeias aos emigrantes que regressam à terra de origem e responsabiliza-as por disponibilizarem loteamentos, ao longo das estradas, sem um sistema de planeamento, equipamento e de concentração.

«Depois vê-se as pobres populações aflitas, metidas em casas no meio da chamada "floresta", quando os culpados são as autarquias que deviam ter incrementado o desenvolvimentos das aldeias».

«A política florestal tem sido desastrosa», e nenhum Governo, desde a década 30, conseguiu ter consciência das necessidades do País.

«É preciso iniciar imediatamente um verdadeiro ordenamento do território, o que demoraria menos de uma geração».

«A árvore está a ser perdida todos os dias. Se a árvore deixa de estar na mata, na sebe, nos pomares, no montado, na cidade, o que temos é uma cultura artificial que pode dar muito dinheiro durante um curto intervalo de tempo a alguns mas que pode acabar com o País», conclui, ao lamentar ainda a inexistência do Programa Nacional de Ordenamento do Território.

Entrevista que Gonçalo Ribeiro Telles concedeu ao semanário «O Diabo», de 17 de Agosto de 2005

🥰
12/02/2024

🥰

Tendo recentemente concluído o Mestrado em Arquitetura Paisagista pela Universidade de Évora, resolvi dar o meu depoimento. Desde muito nova tenho uma forte ligação e paixão pela natureza, cresci c…

A sua beleza engana, pois o seu comportamento é devastador para as paisagens e ecossistema. Quem tem deve eliminar, enco...
09/02/2024

A sua beleza engana, pois o seu comportamento é devastador para as paisagens e ecossistema.
Quem tem deve eliminar, encontre mais informação no site

Quem sabe reconhecer as plantas invasoras⁉️ #️⃣1️⃣0️⃣ Depois da rubrica 🚫🧐”Vamos conhecer as plantas da LISTA NACIONAL de ESPÉCIES INVASORAS (DL 92/2019)”, segue-se um novo desafio 🙂Bora lá!
Comentem (identificando as letras)
- qual é a “intrusa nativa” neste grupo de fotografias?
- quais os nomes das espécies representadas?
Dica: podem consultar o invasoras.pt 😁
https://invasoras.pt/pt/especies-invasoras-portugal

01/02/2024
01/02/2024

Nos termos do disposto nos Estatutos e no Regulamento Interno, a  presente lista candidata aos Corpos Sociais da IRIS, Associação Nacional de Ambiente, para o mandato 2024/2025, é constituída pelos seguintes associados efetivos:

26/01/2024
17/01/2024

Who needs a hardware store when you've got PVC pipes and a wild imagination? 🛠️🌱 Built my own garden irrigation system and now I'm feeling like the MacGyver of gardening! 💧👩‍🌾 🚰🥕

Criação de área de piquenique, Porto da Espada, Marvão
02/01/2024

Criação de área de piquenique, Porto da Espada, Marvão

Requalificação das rotundas de Santo António das Areias,  Marvão
21/06/2023

Requalificação das rotundas de Santo António das Areias, Marvão

26/05/2023

Evolução de Obra de Estabilização de Margens na Albufeira do Parque do Bonito, Entroncamento.

Dono de Obra - Município do Entroncamento
Projeto e Acompanhamento de Obra - EcoSalix

OBJETIVOS:
- Consolidação da base do talude com recurso à construção de um Muro de Suporte Vivo, tipo Cribwall;
- Instalação de manta orgânica de fibras de coco para um controlo imediato da erosão no talude;
- Eliminação de espécies invasoras e renaturalização da margem com vegetação herbácea e arbustiva autóctone.

Endereço

Portalegre
7300

Telefone

967023830

Website

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando SÁS - Susana Árias da Silva - Arquitecta Paisagista publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Compartilhar