25/04/2013
Antigo cinema de São João da Madeira torna-se a mais versátil sala de cultura do país
Jornal Público, 25/04/2013
Texto: Sara Dias Oliveira Foto: Adriano Miranda
Inauguração marcada para 12 de Junho. Arquitecto Filipe Oliveira Dias desenhou um espaço com cinco configurações possíveis.
A Casa da Criatividade de São João da Madeira, que nasce do esqueleto do antigo Cinema Imperador, é inaugurada a 12 de Junho ao som da Orquestra Gulbenkian. No dia seguinte, recebe a primeira produção O Despertar da Primavera, uma das peças mais premiadas da história do teatro, adaptada para um elenco de 13 actores portugueses e uma banda de oito músicos. Será o despertar de um espaço cultural único em várias vertentes.
A sala, com capacidade máxima para 550 pessoas, tem cinco configurações possíveis - teatro isabelino, arena, ringue, passerelle e salão amplo -, numa mudança que dura apenas 45 minutos depois de carregar no botão. A criação do arquitecto Filipe Oliveira Dias é apontada como a sala de espectáculos mais versátil do país.
Todas as semanas, será apresentada uma produção própria, a programação será ecléctica, haverá projectos que envolverão colectividades e escolas locais. Além disso, o modelo de gestão assenta numa lógica de riscos partilhados. Ou seja, no dia da abertura, o director artístico deixa de ter salário e passa a ser responsabilizado pelos prejuízos a partir de um determinado patamar que a câmara assume como um custo com a cultura.
O caminho assumido é o da sustentabilidade. Fernando Pinho, director artístico da Casa da Criatividade, natural de São João da Madeira, produtor cultural em Londres, tem objectivos definidos. No primeiro ano, queremos provar que há um modelo alternativo que funciona, revela. Um modelo nunca antes testado no país.
Fernando Pinho inverte a pirâmide, ou seja, poupa nos custos com a equipa permanente - neste caso, de seis pessoas - e investe na programação. Os custos correntes da casa são assim diminuídos. Ao ser responsabilizado pelo modelo financeiro, acabo por ter mais autonomia, mais poder de decisão, acrescenta.
Os lucros serão partilhados com uma maior margem para a câmara. Nos prejuízos, a maior fatia ficará nas mãos do director artístico. Uma assimetria que é favorável à câmara e que coloca no director artístico uma pressão no sentido da sustentabilidade, sublinha Ricardo Figueiredo, presidente da Câmara de São João da Madeira.
Todos os espectáculos terão bilhetes a cinco euros. Na produção de estreia, os preços variam entre cinco e 15 euros e serão amanhã colocados à venda no site da Casa da Criatividade e nas Fnac e estações de correios de todo o país. Sustentabilidade não pode significar a exclusão de uma camada da sociedade, explica o director artístico em relação à estratégia dos preços das entradas.
A relação do público com o novo espaço também está debaixo de olho. Os funcionários terão formação adequada para que cada espectáculo seja uma experiência antes do pano abrir e para que se mantenha uma ligação depois de as portas fecharem, nomeadamente através do envio da programação por email. Queremos crescer com o público, afirma Fernando Pinho.
A câmara quer atrair público, e não apenas de Portugal. Ricardo Figueiredo vê nos sete milhões de pessoas que todos os anos desembarcam no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, um alvo apetecido. A nossa ambição é seduzir turistas que venham a São João da Madeira. É um espaço totalmente diferenciador e único. Este projecto tem poder gravítico, garante.
A obra começou em Maio de 2009 e o investimento ronda os 5,2 milhões, dos quais 3,2 milhões foram comparticipados por fundos comunitários.
Antigo cinema de São João da Madeira torna-se a mais versátil sala de cultura do país