06/02/2024
O progresso tocou o meu coração,
e à infância timidamente regressei.
Mas onde está a casa onde nasci,
e a rua, que não vejo.
Algum arquitecto diletante
decidiu para bem do futuro
deitar abaixo a minha casa e fez um plano
e tudo tolera o papel branco.
Na minha rua cresceu erva,
tornou-se teia no Verão de S. Martinho.
Que engano até hoje se vive
na fidelidade aos sinais da memória?
Por que preço a minha alma se salvará
restos de coisas que se vão,
único apoio
das minhas impressões sentimentais!
Compreendo, aqui a lei é outra,
serve alheios interesses.
E só as estrelas são as mesmas sobre mim,
sobre a cidade, o mundo e o progresso.
STANISLÁV KUNIÁEV