29/07/2025
NATUREZA EMBALADA, criada para o Programa Afinidades em exposição até dia 29 de Novembro.
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Parabéns pela exposição!
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Tal como Pieter Claesz reflete os hábitos e valores da sua época, na sua pintura de Natureza Morta, esta escultura propõe uma análise crítica à nossa sociedade. A partir de um ícone banalizado do quotidiano – um pacote de algo comestível “gourmet” – a peça oferece uma reflexão sobre as tensões entre aparência e substância.
Este objeto, replicado em grés negro, é simultaneamente familiar e perturbador – a sua aparência remete para o luxo acessível, mas a escolha do grés rompe com essa expectativa.
O material terra-crua, quebradiço e austero, contrapõe-se à promessa implícita na palavra “gourmet”. Ao optar por um grés não vidrado, menos “refinado”, sublinha-se o vazio por vezes escondido atrás da sofisticação aparente. É este contraste que articula o drama da nossa contemporaneidade: vivemos numa era em que o rótulo pesa mais do que o conteúdo.
A escultura, preserva a leveza e fragilidade do pacote real. Contudo, o preto profundo confere-lhe uma aura de solenidade. O termo “gourmet”, estampado na superfície, adquire uma nova carga simbólica – quase como uma epígrafe mordaz. Trata-se de uma crítica visual à cultura do consumo, onde a palavra substitui ou obscurece a substância.
O grés revela-se particularmente apropriado para este projeto pela sua capacidade de evocar a matéria crua, a origem terrestre, e ao mesmo tempo resistência ao tempo. A sua textura rugosa e cor sombria reforçam o contraste entre o suposto requinte e a realidade crua. Assim, a escultura desafia o observador a refletir sobre o valor simbólico da linguagem publicitária e o modo como esta, por vezes, se sobrepõe à autenticidade.