A Quinta do Vilar ou do Pacheco Pereira, que durante séculos esteve na posse desta família, constitui um importante espaço da memória da cidade, que hoje se conserva nas suas características oitocentistas integrado nos "caminhos do romântico". As mais antigas referências documentais conhecidas sobre a quinta do Vilar remontam ao século XVI, quando uma muito mais vasta propriedade, denominada Casal
do Vilar, que integrava um grande senhorio pertencente à colegiada de Cedofeita, começou a ser dividida . Esta desintegração do primeiro senhorio continuou na centúria seguinte, surgindo no século XVII várias quintas nesta zona, entre as quais a do Vilar. Os Pacheco Pereira possuíam um palacete na cidade do Porto, pelo que a casa da quinta era mais modesta, com os espaços internos a prolongar-se pelos externos, principalmente no jardim que, em socalcos descia até à casa Tait. De acordo com uma descrição de 1715, o imóvel teria sido edificado entre 1709 e 1715, desenvolvendo-se em quatro frentes, com dois pisos e entrada ao centro da fachada principal. Este eixo mantinha-se no interior da casa, com as escadas de acesso ao andar superior, onde se situavam a sala de visitas, os salões e o oratório sobre a entrada, reunindo-se os compartimentos térreos da mesma forma funcionalista, com a sala de jantar e a cozinha. No século XIX, João Pacheco Pereira cedeu terrenos para o Palácio de Cristal, do qual foi um dos promotores, perdendo muito dinheiro. O seu filho construiu dois bairros operários, o de Entre Quintas em 1880 e o de Vilar em 1890, acabando também por não rentabilizar o investimento. Apesar dos problemas financeiros a casa da quinta do Vilar foi objecto de várias alterações no decorrer do século XIX e, embora muitas deles não tenham sido concretizadas na totalidade, a verdade é que denunciam a preocupação dos proprietários em conservar e melhorar o imóvel. Em 1865 João Pacheco Pereira ergueu um corpo mais alto, a Nascente, uma espécie de torreão. Ao lado, e em frente do Bairro do Vilar, edificou-se em 1886 uma segunda habitação, que escondia o bairro. Assim, o imóvel não conheceu alterações significativas, conservando as suas características. Quanto à Quinta, esta segue a tipologia das quintas de recreio que reúnem simultaneamente uma função lúdica e outra de cultivo. A particularidade da Quinta do Vilar e da Quinta de Recreio Tait reside no facto de se inscreverem, hoje, na malha urbana do Porto, conservando ainda as suas estruturas, como o sistema hidráulico que não apenas serviu os espaços de produção mas também os jogos de água das fontes e canaletes que se encontram nos jardins, ou seja, nos espaços lúdicos que prolongam os espaços de habitar internos da casa.