10/10/2019
THE B PLAN?... FUTURING
Emerge a necessidade de soluções sobre todas as certezas das alterações climáticas.
Não existe uma solução única e global.
Uma possível solução está no novo conceito: “Futuring”.
Este conceito é precedido pela visão da sustentabilidade.
A sustentabilidade visa essencialmente um conjunto de ações necessárias de forma a não comprometer a satisfação das necessidades de gerações futuras. A sustentabilidade é um equilíbrio, uma harmonia, uma paz nos sistemas.
A situação actual implica que sejamos mais ambiciosos e radicais.
Só é possível atingirmos o equilíbrio edílico da sustentabilidade se hoje, neste tempo de charneira, atuarmos com capacidade para gerar desequilíbrios “positivos”.
MANIFESTO
A grande diferença é substituir na descrição do conceito sustentabilidade o verbo comprometer por multiplicar.
Comprometer as oportunidades das gerações futuras.
Multiplicar as oportunidades das gerações futuras, “Futuring”.
COMO?
As pessoas “alocadas” a cada área do saber são responsáveis por aprofundar a possibilidade de gerar desequilíbrios positivos, de explorar o conceito “Futuring”. Só assim será possível analisar, repensar e gerar novos processos e sistemas.
Como ser racional consigo ter uma visão genérica do problema nas diversas áreas, como arquiteto, consigo aprofundar essa análise de forma a repensar e criar novos processos e soluções. Desde o urbanismo até aos pormenores construtivos é possível e emergente ter uma atitude de não conivência nos processos e soluções insustentáveis.
O projeto ØCO2 baseia-se no conceito “Futuring”.
A génese parte de um olhar sobre os resíduos e vê-los como recursos.
Um resíduo é algo que resta, que sobra. Um recurso é uma riqueza, um conjunto de meios a serem utilizados para um determinado fim. Assim, um resíduo ganha uma nova vida e passa a ser um recurso.
“…penso que esta passagem de resíduo a recurso é transversal em diversas áreas e por consequência surge um imenso campo de possíveis inovações e novas organizações…”
No projeto ØCO2 foi explorado o défice comercial existente em Portugal. A importação é superior à exportação. Esta realidade não é apenas financeira. As mercadorias acomodadas em contentores são consumidas no nosso território, mas a “cápsula” que as trouxe transforma se num resíduo, num resto, o sobrante de uma transação comercial.
É insustentável transportar contentores vazios de forma a equilibrar o défice comercial.
Esta diferença gera uma importação significativa de estruturas metálicas “contentores marítimos” que aos poucos vão se acumulando em diversos parques de contentores. Rapidamente essas estruturas transformam-se em resíduos.
Os novos contentores marítimos são feitos em aço corten .
Este aço, é um material capaz de resistir à exposição feroz da água salgada.
É um aço com as características necessárias para a utilização em navios mercantes.
Sendo assim, este resíduo é usado como um recurso para a nova estrutura.
Ao mesmo tempo, existe uma reflexão sobre importância do impacto humano no ciclo do Carbono.
Esta reflexão tem por objetivo retirar CO2 da atmosfera e reter no corpo do edifício. Para que isso seja possível é necessário optar por materiais que contenham Carbono na sua estrutura. Desta forma surge o isolamento em aglomerado negro de cortiça e a madeira.
O resultado final são 1400kg de CO2 retido no corpo do edifício, o equivalente à emissão de CO2 resultante de uma viagem de 2000km num automóvel “verde” 70gr/km.
O projeto ØCO2 é um olhar critico sobre os processos e o resultado final, é uma tentativa de gerar desequilíbrios positivos….é um projeto enquadrado numa visão “Futuring”.